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Brasil As denúncias de Joesley Batista contra o presidente Michel Temer devem retardar o processo de corte da taxa básica de juros pelo Banco Central

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Na quinta-feira, Bovespa caiu 8,8%, recorde desde 2008. (Foto: EBC)

As revelações da delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, inverteram completamente a percepção de analistas de mercado sobre o rumo da economia brasileira. Até a última quarta-feira, estava em avaliação a possibilidade de a crise econômica haver atingido um ponto de virada – talvez, só talvez, a produção e o emprego fossem começar a acelerar gradualmente, após a economia se acomodar num novo nível de atividade (baixo) e os investidores passarem a depositar alguma confiança no sucesso do ajuste fiscal. Em dois dias, isso virou passado distante.

Após a acusação de que o presidente Michel Temer deu aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, a leitura é que haverá uma “paralisia decisória” no Congresso Nacional. Com ou sem Temer no comando do país, o agravamento da crise política inviabiliza, por ora, a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência. Isso também acentua a deterioração das contas públicas, com efeitos em cadeia na economia: mais inflação, cortes menores nos juros e menos investimento e emprego.

Como sintoma da “paralisia decisória”, o relator da reforma trabalhista, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) suspendeu a tramitação da proposta no Senado nesta tarde. “É um grande teste de maturidade para nossas instituições. Como disse o próprio Temer, em pronunciamento na tarde desta quinta-feira (18), “o fantasma” da crise política voltou a ameaçar a estabilidade econômica.

No curtíssimo prazo, o mercado financeiro refletiu os efeitos da hecatombe provocada pela delação de Joesley. No fechamento do pregão de quinta-feira, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) encerrou  em queda de 8,8%, maior tombo desde outubro de 2008, quando reagiu à crise global.

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