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Saúde Dependência química cresce entre idosos e preocupa especialistas

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Embora seja muito associada aos jovens, a dependência química é um problema cada vez mais prevalente em idades avançadas. (Foto: Pixabay)

Embora seja muito associada aos jovens, a dependência química é um problema cada vez mais prevalente em idades avançadas. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) alertam que o uso abusivo de bebidas alcoólicas, medicamentos e drogas ilícitas já representa inclusive uma epidemia silenciosa entre os idosos, com impactos diretos na saúde e na qualidade de vida dessa população.

Em artigo publicado na seção Cartas ao Editor do World Journal of Psychiatry, os cientistas apontam ainda que os idosos não têm plena consciência dos riscos da dependência química pela baixa alfabetização sobre o tema. “Essa falta de conhecimento os torna mais vulneráveis à desinformação e às consequências do uso abusivo de substâncias”, diz o psicólogo Kae Leopoldo, professor do Departamento de Psicologia Experimental da USP, que assina o texto.

Segundo o geriatra Marco Túlio Cintra, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – seção Minas (SBGG-MG), ainda existem poucos estudos capazes de dimensionar a real gravidade do problema no Brasil, o que contribui para a subnotificação. “Nos Estados Unidos, onde há mais pesquisas sobre dependência química na terceira idade, estima-se que cerca de 13% dos idosos utilizaram drogas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses”, conta. No Brasil, publicações mais recentes do Ministério da Saúde estimam que quase 10% dos idosos brasileiros consomem álcool diariamente, um índice significativamente superior à média nacional de 2%.

1. Álcool

O álcool é apontado como a substância que mais causa dependência química na terceira idade. Segundo uma pesquisa do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), um terço das internações relacionadas ao consumo de álcool no Brasil ocorre entre idosos. “É uma droga legalizada, de fácil acesso e com preço baixo em comparação com outras substâncias. Esses fatores tornam seu consumo muito mais frequente do que o de outras drogas”, esclarece a bióloga Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni, professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A longo prazo, o consumo excessivo pode provocar doenças crônicas, acelerar o declínio cognitivo e, em casos extremos, levar à morte. Dados recentes do Cisa revelam que pessoas com 55 anos ou mais são as que mais morrem em decorrência de complicações relacionadas ao álcool no País. Em 2010, foram registrados 27.272 óbitos; em 2023, esse número subiu para 41.611. O estudo, baseado em informações do Ministério da Saúde, mostra que a maior parte dos óbitos atribuídos parcial ou totalmente ao álcool decorre de cirrose hepática (que leva à falência do fígado), acidentes de trânsito, doença cardíaca isquêmica e câncer colorretal.

2. Medicamentos

Outra forma de dependência química que vem crescendo de maneira sorrateira na população mais velha é relacionada à ingestão de remédios. Para evitar a dependência, Erika comenta que o uso de medicações demanda avaliações periódicas e acompanhamento por profissionais de saúde, o que muitas vezes não acontece.

Entre as categorias com grande potencial adictivo está a dos benzodiazepínicos, utilizados no tratamento de crises de ansiedade e insônia. Embora sejam indicados para uso de curto prazo, muitos idosos recorrem a essas substâncias por anos. “Com o tempo, há o desenvolvimento de tolerância, o que exige doses maiores para alcançar o mesmo efeito terapêutico. Isso traz consequências na saúde física e mental, além de alterações em múltiplas esferas da vida”, informa Erika Ramirez, da UFMG.

3. Cigarro e maconha

No Brasil, a taxa de tabagismo entre idosos gira em torno de 10%, índice menor do que na população adulta em geral. Segundo o geriatra Marco Túlio Cintra, porém, os fumantes idosos tendem a consumir um número maior de cigarros por dia, o que revela maior dependência química e psicológica da nicotina e maior dificuldade para parar de fumar.

“Muitos deixaram de fumar ao longo da vida por orientação médica ou em razão de problemas de saúde. Mas uma parcela significativa dos idosos mantém o hábito por uma dependência construída ao longo dos anos”, avalia a gerontóloga Adriana.

Em 2024, um levantamento realizado pela Fundação do Câncer apontou que o tabagismo está relacionado com 85% dos óbitos por câncer de pulmão entre homens e quase 80% entre as mulheres no País. Mas o tabaco também está fortemente associado a outros tipos de câncer, como de boca, laringe, mama, bexiga e colo de útero, além de enfisema e problemas cardiovasculares.

No artigo publicado por pesquisadores da USP, destaca-se ainda que tendências recentes mostram um aumento significativo no uso de maconha entre adultos com mais de 60 anos em muitas regiões do mundo. “Embora frequentemente usada para fins terapêuticos, como o controle da dor ou da insônia, o uso de cannabis nesse grupo pode exacerbar os riscos à saúde, especialmente quando combinado com outros medicamentos”, escrevem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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