Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2020
Se do ponto de vista político as acusações de Sérgio Moro angariavam pouca adesão, por causa de sua atuação na Operação Lava-Jato contra parlamentares e contra o ex-presidente Lula, o ex-ministro agora também é contestado do lado criminal. Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), advogados, integrantes da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) avaliam que o depoimento de Moro trouxe poucas novidades e carece de elementos para que, de fato, possa provar crimes de Jair Bolsonaro.
Os que não viram grandes novidades na oitiva de Moro a definiram com uma frase usada pelo ex-ministro: a montanha pariu um rato. O ex-juiz usou a expressão quando o The Intercept Brasil trouxe mensagens dele com procuradores da Lava-Jato.
Em conversas com pessoas próximas, Augusto Aras, procurador-geral da República, tem dito que é impossível que o inquérito prospere para uma denúncia contra o presidente.
Apesar do desânimo geral, Moro levou à investigação mais uma demonstração incontestável do interesse de Bolsonaro pela Polícia Federal do Rio. O Painel, da Folha de S.Paulo, revelou que o novo diretor-geral decidiu fazer a troca no comando do Estado.
Para Ticiano Figueiredo, presidente do Instituto de Garantias Penais, o depoimento de Sérgio Moro à PF mostrou que o ex-juiz tem percepção distorcida sobre o que são provas acusatórias. “No discurso de despedida, imputou uma série de crimes ao presidente. Quando chegou a hora de apresentar todas as provas, entregou um nada e depôs sobre um vazio”, diz o advogado, que representa o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e outros réus na Lava-Jato.
Novos nome na PF
O novo comandante da PF, Rolando de Souza, definiu os nomes de sua diretoria. Para formar a nova cúpula, o diretor-geral vai promover a troca de cinco superintendentes, contando a do Rio.
Um dos símbolos da Lava-Jato de Curitiba, o delegado Igor Romário foi escolhido para permanecer no cargo de Dicor (Diretor de Combate ao Crime Organizado).
O delegado Tácio Muzzi será o novo superintendente da corporação no Rio de Janeiro.
Foco de interesses da família Bolsonaro, a superintendência da PF no Estado também foi um dos alvos de embate de Jair Bolsonaro com o agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que pediu demissão acusando tentativa de interferência política do presidente.
Após forte pressão interna e externa, o nome de Muzzi foi escolhido sem que estivesse entre os indicados de Bolsonaro.
Na tentativa de afastar suspeitas, dentro da corporação havia cobrança para que o novo superintendente não tivesse ligação com a família do presidente e que fosse um delegado respeitado internamente.
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