Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de junho de 2021
Os depoimentos dos irmãos Miranda mudaram os rumos da CPI da Covid. As declarações sóbrias e técnicas do servidor Luis Ricardo, além dos indícios apresentados por ele, deixaram claro, segundo senadores do G7 (independentes e oposição), que houve pressão pela compra da Covaxin.
A agenda das próximas convocações vai girar em torno dos nomes que foram colocados na roda por Ricardo como sendo os dos supostos autores de uma achaque: Marcelo Bento Pires e o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. E, claro, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), apontado pelo deputado como sendo o nome atribuído por Bolsonaro ao ‘rolo’ da Covaxin.
Ricardo era a voz “técnica” da dupla e não avançou o sinal. Foi claro e direto em dizer que não tinha conhecimento do que ocorria fora de sua área, a de importações.
O deputado Luís Miranda fez a voz “política”. Chutou a canela de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni e companhia quando teve a chance. A combinação desconcertou a tropa governista na comissão.
O novo (e mais perigoso para o Planalto) eixo de investigação na CPI surge no momento em que a alternativa de tumultuar dos governistas fica enfraquecida, uma vez que o STF decidiu que governadores não podem ser obrigados a depor. Lado negativo, para o G7: Bolsonaro também não poderá ser chamado.
Roberto Ferreira Dias, diretor de logística da Saúde, teve indicação à Anvisa no ano passado cancelada por Bolsonaro, após notícias de contratos suspeitos sob sua gestão. Dias fora indicado pelo líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR), mas também contou com forte apoio de Davi Alcolumbre (DEM-AP). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fatos sanáveis
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou que o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda agiu de má-fé ao falar em problemas nas notas fiscais da Covaxin que seriam sanáveis. O senador disse ainda que Luis Ricardo não é responsável por negociar, fiscalizar, ou gerenciar contratos. “Muito menos exala pareceres jurídicos sobre contratos”, disse Bezerra.
Ele repetiu a versão explorada pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), outro senador da base do governo, de que o contrato fechado para a compra da Covaxin não tem irregularidades.
Mais cedo, Luis Ricardo disse que nenhuma outra vacina teve pedido de importação igual Covaxin. Segundo ele, o pedido de importação da vacina indiana foi feito em formato “exceção da exceção”.
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