Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Brasil Com críticas sobre sua articulação política, Bolsonaro revê sua estratégia e chama partidos para conversar

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(Foto: Agência Brasil)

Depois de ignorar partidos e caciques do Congresso Nacional na montagem do seu ministério, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) começou nessa terça-feira a dialogar com as forças da política que mais prometeu manter distância na campanha: as bancadas partidárias. Para uma plateia de 50 deputados do MDB, sigla que tem simbolizado o loteamento partidário de cargos na Esplanada nas últimas décadas, ele pediu apoio à agenda do novo governo, mas não abandonou o discurso eleitoral contra a velha política.

Depois, ao explicar para jornalistas o que havia prometido aos políticos no encontro, foi irônico. “Muito amor. Assim como fiz para você, aqui e agora: vamos tomar um chopinho? Olha só… Desculpe a brincadeira, conheço você há algum tempo, nós sentamos aqui e recebemos as indicações da bancada da agricultura, da saúde. Isso é interesse de grande parte dos parlamentares. Ali tem político de tudo que é partido e temos dito, nessas reuniões, que os ministérios estão abertos aos parlamentares. Nenhum pedido deles que seja legal e possível deixará de ser atendido”, comentou.

Depois de receber os políticos do MDB da Câmara dos Deputados – incluindo Celso Jacob, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e que cumpre pena de prisão no regime semiaberto, a sequência de encontros de Bolsonaro com as bancadas partidárias do Legislativo teve o PRB do pastor Marcos Pereira, gravado pedindo propina ao empresário do grupo J&F Joesley Batista quando era ministro do presidente Michel Temer.

Nos encontros, o presidente eleito tentou criar empatia ao pedir ajuda dos parlamentares para mudar as práticas nas relações do Executivo com o Parlamento e defendeu uma mudança na forma de fazer política no Brasil: “A gente pode não saber a fórmula do sucesso, mas sabemos a do fracasso. Em grande parte continuar fazendo o que estavam fazendo até há pouco tempo. Eu acredito que não temos mais espaço para essa forma de fazer política no Brasil”.

Estratégia

Trata-se de uma mudança na estratégia que vinha sendo adotada até então por Jair Bolsonaro. Inicialmente, ele se reuniu apenas com bancadas temáticas, como fez com a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), os evangélicos e parlamentares ligados à área da saúde. Desses encontros saíram nomes com os de Tereza Cristina (Agricultura) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde).

Montado o primeiro escalão, o presidente eleito optou por mudar o plano para conquistar o apoio necessário para aprovação de projetos no Congresso Nacional. Esse deve ser o tom das conversas que começaram nessa terça-feira com as bancadas do MDB e do PRB.

Velocidade nas emendas

Após as reuniões, Bolsonaro defendeu também a liberação com maior velocidade das emendas parlamentares. “A questão também de emendas parlamentares. Se as emendas são impositivas, por que postergar ou fazer um jogo de empurra com o deputado? Acho que o deputado tem que ter sua emenda liberada o mais rápido possível”, frisou.

Ele disse, ainda, que não haverá alinhamento automático das legendas ao seu governo e repetiu não haver intenção de distribuir cargos. “Não é isso que buscamos. Buscamos entendimento. É o que tenho falado para eles: posso não saber a fórmula do sucesso, mas do fracasso é essa que foi usada até o momento, de distribuir ministérios, bancos para partidos políticos”, garantiu.

Questionado sobre qual ministro cuidará da articulação com o Congresso, se Onyx Lorenzoni (Casa Civil) ou o general Santos Cruz (Secretaria de Governo), o presidente eleito disse que “todo mundo” tem que falar de política. “A coordenação fica com Onyx, fica com o Santos Cruz, fica comigo. Todo mundo tem que falar de política. Um tem a atividade mais voltada para os Estados e municípios, outro para o Parlamento”, justificou.

Ainda de acordo com Bolsonaro, a indicação de um líder do governo será tomada ouvindo os partidos e após o início dos trabalhos no Congresso. Ressaltou apenas que a bancada do PSL é muito jovem, com 46 novatos entre os 52 eleitos.

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