Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de junho de 2016
O balcão da loja de armas Oak Ridge, em Orlando, na Flórida, estava cheio após o maior ataque a tiros já cometido nos Estados Unidos. Aberta sete dias por semana e com um farto cardápio, incluindo modelos do fuzil AR-15 usado pelo assassino, a loja fica na mesma avenida da boate gay Pulse, cenário do massacre.
“Ter armas é tradição americana e um direito inabalável”, explica o comerciante Harry S., frequentador do estande de tiros da Oak Ridge, onde vai pelo menos uma vez por mês “por diversão”.
Estatísticas mostram uma disparada nas vendas de armas nos EUA quando há matanças semelhantes. Em um prenúncio dessa tendência, o primeiro pregão da bolsa de Nova York após o ataque em Orlando fechou com alta nas ações dos maiores fabricantes de armas do país.
A motivação imediata para a corrida às lojas nestes momentos é antecipar-se a possíveis restrições e aumentos de preços em resposta à violência armada.
Lobby.
Omar Mateen, o atirador que matou 49 pessoas na boate Pulse, antes de ser morto pela polícia, estava no radar do FBI (a polícia federal americana) desde 2013, alvo de investigações por suspeita de laços com terroristas.
Mas os casos foram fechados por falta de provas, e Mateen não teve problema para comprar um fuzil e uma pistola, um mês antes do crime.
Pesquisas mostram que a maioria dos americanos apoia um controle mais rígido. Mas daí até a aprovação no Legislativo o caminho tem sido tortuoso, bloqueado por divisões partidárias e pela ação do lobby das armas, liderado pela Associação Nacional do Fuzil.
Em muitos casos, ataques a tiros tornam o acesso a armas ainda mais fácil, como mostra um estudo da Universidade Harvard. Segundo a pesquisa, a aprovação de leis mais frouxas aumentou 75% nos Estados governados pelos republicanos depois de massacres.
Para os defensores das armas, é bobagem afirmar que restrições significam mais segurança. Para eles, armar os cidadãos inibe a violência dos criminosos. (Folhapress)
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