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Política Deputada aciona a Procuradoria-Geral da República após Flávio Bolsonaro dizer que terras raras do Brasil são “solução” aos Estados Unidos

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O parlamentar afirmou que o País pode ser “a solução” para reduzir a dependência americana da China em terras-raras. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugerindo que o Brasil “é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos” não rendeu apenas críticas da esquerda pela postura “entreguista”.

A deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP) acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República ) para que apure possíveis crimes de atentado à soberania nacional e atentado à integridade nacional, em razão de sua fala durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas.

Na notícia-crime, a parlamentar aponta que as declarações configuram violação aos deveres de lealdade, respeito e defesa do interesse nacional, além de revelarem “nítido alinhamento subserviente a interesses estratégicos de potência estrangeira”.

Segundo o documento, o senador subordina a destinação de recursos estratégicos brasileiros à agenda de defesa dos EUA, ignorando os interesses do Brasil em áreas como defesa, desenvolvimento tecnológico e autonomia industrial.

A representação também mira ataques do Zero Um a Lula, ao chamá-lo de “abertamente antiamericano” e atribuir ao governo brasileiro práticas como “lobby pesado para evitar que cartéis de drogas fossem classificados como terroristas”. Para Luciene, o senador atentou contra a honra do chefe do Executivo e reproduziu, em solo estrangeiro, alegações que fragilizam a imagem do Brasil perante a comunidade internacional.

Além da abertura de um procedimento de investigação, a deputada quer que a PGR, ao final, ofereça denúncia contra o pré-candidato do PL à Presidência.

Reação de políticos

A fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o papel estratégico do Brasil no fornecimento de minerais críticos aos Estados Unidos provocou reação de políticos de esquerda e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, no sábado, o parlamentar afirmou que o país pode ser “a solução” para reduzir a dependência americana da China em terras-raras.

“O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”, disse o senador, pré-candidato à Presidência da República.

A declaração foi alvo de críticas de governistas, que acusaram Flávio Bolsonaro de defender uma relação de submissão aos interesses americanos. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que episódios como esse mostram que adversários do governo não recuam de posições que classificou como prejudiciais ao país. “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”, escreveu nas redes sociais.

Já o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) elevou o tom e disse que a fala do senador representa “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”. Segundo ele, Flávio Bolsonaro teria se comprometido publicamente a entregar recursos estratégicos do país em troca de apoio externo.

“Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, questionou.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticou o posicionamento e chamou o senador de “traidor da pátria” e “vendilhão de Trump”, acusando-o de atuar em favor de interesses estrangeiros ao tratar recursos naturais brasileiros como ativos disponíveis ao exterior.

A fala de Flávio Bolsonaro ocorreu no mesmo discurso em que pediu monitoramento internacional das eleições brasileiras e criticou o governo Lula. O senador tem intensificado agendas no exterior como parte da estratégia de se projetar como nome da direita para a disputa presidencial de 2026.

No campo geopolítico, o tema das terras-raras ganhou relevância nos últimos anos diante da disputa entre Estados Unidos e China. Os minerais são essenciais para a produção de tecnologias como baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos, e hoje os chineses dominam grande parte da cadeia global de produção e processamento. As informações são do jornal O Globo.

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