Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2016
Faltou uma deputada do PSDB no encontro que o mundo feminino parlamentar teve com o presidente interino Michel Temer. Shéridan Estefany, de Roraima, não foi. Uma das bonitonas da Câmara, ela é tucana de oposição à presidenta afastada Dilma Rousseff e, também, ao presidente em exercício Michel Temer. “O PT e o PMDB erraram juntos, não vejo como dissociar”, disse Shéridan, declarando-se simpática a uma “nova eleição”.
A deputada estreante tem 32 anos, duas filhas e 61 quilos bem distribuídos em 1,74 metro. Como nem tudo é perfeito, Shéridan responde, no momento, a duas ações por improbidade administrativa, que tramitam no Tribunal de Justiça de Roraima. Acompanha-a, nos feitos, como igualmente réu, seu ex-marido e pai de sua filha mais nova, o engenheiro e ex-governador de Roraima José de Anchieta Júnior. “Vou provar minha inocência quando for notificada”, disse a deputada proporcionalmente mais votada do Brasil, como sempre faz questão de frisar. Shéridan foi uma dos 367 parlamentares que aceitaram o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na votação de 17 de abril. Foi a primeira das 53 deputadas a votar.
Na entrevista, a deputada externou seus motivos: “A Dilma poderia ter imprimido a história dela, mas acabou se submetendo ao que já estava instalado, como a corrupção institucionalizada”, disse. “Sinto muito por ela, como mulher, mas a política é uma opção de vida muito vulnerável, você não tem solidez, nem segurança no contexto.” Citou, então, uma frase de Shakespeare, que conferiu no Google: “Os covardes morrem várias vezes antes de sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte uma única vez”. Significa, explicou, que “a Dilma não foi corajosa o suficiente para mudar a história”.
Shéridan foi mãe com 16 anos – de Júlia, hoje com 15 –, com um primeiro namorado. Em 2004, casou-se com o engenheiro Anchieta Júnior, 19 anos mais velho. Anchieta elegeu-se vice-governador de Ottomar Pinto em 2006, e virou governador quando Pinto morreu, em dezembro de 2007.
Como primeira-dama e secretária de Promoção Humana e Desenvolvimento, a também psicóloga dedicou-se a programas sociais. Um deles, o Rede Viva, com foco nos deficientes, ganhou prêmio da Unicef.
No dia 11 de abril de 2010 – aniversário de 26 anos da primeira-dama –, um Learjet contratado do governo Anchieta Júnior decolou de Boa Vista. Pousou no Rio de Janei só para buscar o presente de Shéridan, o cantor MC Sapão – um dos mais prestigiados do funk –, e voltou ao destino de origem. O “presente” gerou uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público de Roraima. Anchieta e Shéridan, entre outros, são acusados “de utilização indevida de aeronave do governo do Estado para transportar MC Sapão, contratado para cantar na festa de aniversário da primeira-dama”.
Shéridan disse que não lhe cabe falar sobre esse processo. “Afinal, foi uma surpresa, um presente, e eu nada tive a ver com isso”, afirmou. “Só soube, depois, que o MC pegou uma carona no avião.” Seu ex-marido, o ex-governador Anchieta, explicou: “Foi realmente uma festa-surpresa que eu quis proporcionar a ela. O artista pegou uma carona no avião do Estado, que por acaso estava no Rio de Janeiro”.
Em fevereiro deste ano, a Justiça de Roraima determinou a indisponibilidade de bens do ex-casal, no valor de 40 mil reais, gasto aproximado das despesas do avião (que consumiu, na viagem, 6.680 litros de combustível, mais piloto e copiloto).
A outra ação por improbidade denuncia Anchieta e Shéridan, entre outros réus, por “fraude na titulação de terras públicas” ao tempo em que eram governador e primeira-dama. Segundo a denúncia do Ministério Público de Roraima, “não resta dúvida de que houve a fraude para a concessão dos títulos definitivos que beneficiaram Anchieta e Shéridan, uma vez que não detinham a posse da terra, e tampouco desenvolviam atividade agrícola”. (AE)
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