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Brasil Deputada foi chamada de “gostosa” durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer

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Shéridan responde a duas ações por improbidade administrativa. (Foto: Divulgação)

Uma situação constrangedora aconteceu durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (2). A parlamentar Shéridan Oliveira (PSDB-RR) foi chamada de “gostosa” por um colega no início da contagem de votos.

Oitava deputada a ser chamada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), Shéridan não estava no Congresso durante a votação. “Deputada Shéridan”, disse Maia. Em seguida, um homem gritou: “Gostosa!”. Maia ignorou a fala sexista e disse o nome da colega mais uma vez antes de confirmar sua ausência.

As câmeras da TV Câmara não mostraram quem chamou de “gostosa” a deputada de 33 anos. Ex-primeira-dama de Roraima, Shéridan foi eleita deputada federal em 2014.

A deputada estreante tem duas filhas e 61 quilos bem distribuídos em 1,74 m. Como nem tudo é perfeito, Shéridan responde, no momento, a duas ações por improbidade administrativa, que tramitam no Tribunal de Justiça de Roraima. Acompanha-a, nos feitos, como igualmente réu, seu ex-marido e pai de sua filha mais nova, o engenheiro e ex-governador de Roraima José de Anchieta Júnior.

“Vou provar minha inocência quando for notificada”, disse a deputada proporcionalmente mais votada do Brasil, como sempre faz questão de frisar. “São acusações políticas – e estamos nos defendendo”, disse o ex-governador.

Shéridan foi uma dos 367 parlamentares que aceitaram o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na histórica votação de 17 de abril. Foi a primeira das 53 deputadas a votar, com um blazer amarelo-gema que realçou a atenção dos pares: “Pelo resgate da esperança que foi roubada do povo brasileiro. Por essa geração e pelas próximas gerações. Pelo meu Estado de Roraima, eu voto sim, eu voto pelo Brasil”.

No café, meneando os cabelos compridos e sedosos, a deputada externou seus motivos: “A Dilma poderia ter imprimido a história dela, mas acabou se submetendo ao que já estava instalado, como a corrupção institucionalizada”, disse. “Sinto muito por ela, como mulher, mas a política é uma opção de vida muito vulnerável, você não tem solidez, nem segurança no contexto.”

Citou, então, uma frase de Shakespeare, que conferiu no Google: “Os covardes morrem várias vezes antes de sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte uma única vez”. Significa, explicou, que “a Dilma não foi corajosa o suficiente para mudar a história”.

Nascida em Boa Vista, Shéridan foi mãe com 16 anos – de Júlia, hoje com 15 –, com um primeiro namorado. Em 2004, casou-se com o engenheiro Anchieta Júnior, 19 anos mais velho, cearense de Jaguaribe e, como o pernambucano Romero Jucá, seu adversário político, roraimense de coração.

Anchieta elegeu-se vice-governador do tucano Ottomar Pinto em 2006 – derrotando o peemedebista Jucá –, e virou governador quando Ottomar Pinto morreu, em dezembro de 2007. “Eu estava de resguardo de Lara, recém-nascida”, lembrou a deputada. Como primeira-dama e secretária de Promoção Humana e Desenvolvimento, a também psicóloga dedicou-se a programas sociais. Um deles, o Rede Viva, com foco nos deficientes, ganhou prêmio da Unicef. (AE)

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