Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2015
Os deputados federais Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) usaram as redes sociais para acusar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de “doutrinação”. O motivo da reclamação foi uma questão da prova de ciências humanas, que abordou a célebre frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, da escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir. A questão abordava o tema das lutas feministas no início do século 20.
“Mais ou tão grave quanto a corrupção é a doutrinação imposta pelo PT junto à nossa juventude”, afirmou Bolsonaro em seu perfil pessoal no Facebook, na noite deste sábado (24). “O João não nasceu homem e a Maria não nasceu mulher”, ironizou ele. “O sonho petista em querer nos transformar em idiotas materializa-se em várias questões do Enem (Exame Nacional do Ensino MARXISTA)”, completou o deputado.
Na tarde deste domingo (25), Feliciano também usou seu perfil no Facebook para criticar a questão. “Essa frase da Filósofa Simone de Beauvoir é apenas opinião pessoal da autora, e me parece que a inserção desse texto, uma escolha adrede, ardilosa e discrepante do que se tem decidido sobre o que se deve ensinar aos nossos jovens”, disse ele.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, rebateu os deputados em entrevista coletiva na noite deste domingo (25). Segundo o ministro, a escritora e filósofa teve “grande contribuição” sobre a condição da mulher na sociedade. Ele lembrou que, no passado, as mulheres não podiam votar e eram consideradas incapazes, sem direitos. “Esse é o contexto do debate. Pessoas podem divergir. Na educação, tem de estar aberto a discutir, a aceitar”, declarou. (AG)
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