Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2019
Em primeiro mandato, o deputado Sargento Fahur (PSD-PR) desbanca figuras tradicionais da política no ranking dos 20 congressistas mais influentes nas redes sociais. Ele aparece como o terceiro com mais poder de mobilização no Twitter, no Facebook e no Instagram, atrás apenas de Joice Hasselmann e Eduardo Bolsonaro, ambos do PSL-SP.
Se não estão entre as lideranças que ditam a pauta do Congresso, os parlamentares “digitais” usam o poder que têm para pressionar colegas mais experientes por meio de milhares de seguidores. “Nas sessões, eu pego o celular e peço que pressionem os deputados”, afirmou Fahur.
Um levantamento inédito, realizado pelo instituto FSB Pesquisa, mediu a performance dos deputados e senadores na internet. Todos os 513 deputados e 81 senadores estão presentes em pelo menos uma das três redes de relacionamentos. Ao todo, 100% estão no Facebook, 99,3% no Instagram (aplicativo que mais cresce no País) e 87,5% no Twitter.
Nos primeiros 20 dias de fevereiro, congressistas que postaram pelo menos um comentário nas redes sociais somaram mais de 108,5 milhões de seguidores. No período, foram 44,4 mil conteúdos.
As mensagens nas redes sociais já influenciaram na escolha do presidente do Congresso. A hashtag “ForaRenan” e a pressão para que senadores revelassem seus votos mesmo na sessão secreta levaram à derrota o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na disputa pelo comando da Casa. Seu opositor, Davi Alcolumbre (DEM-AP), está em 16º no ranking de influência digital.
Líder do ranking, Joice Hasselmann tem a peculiaridade de usar dez aparelhos de celular. Já Eduardo Bolsonaro tem contas nas redes que interagem diretamente com as do pai, Jair Bolsonaro, e dos irmãos Flávio e Carlos. Joice tem 2,4 milhões seguidores no Facebook e Eduardo, 2,5 milhões.
Nesse quesito, os dois estão atrás de Sargento Fahur, que movimenta uma página com 4 milhões de seguidores, o mesmo número do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Twitter, Eduardo tem 1,2 milhão de seguidores. Sargento Fahur é acompanhado por 377 mil e Joice, 295 mil. Já a página do presidente Jair Bolsonaro é acompanhada por 10 milhões de perfis.
O PSL, com seis congressistas no levantamento, é a legenda com mais parlamentares influentes. Em seguida aparece o PT, com três: os deputados Paulo Pimenta (RS), Gleisi Hoffmann (PR) e o senador Humberto Costa (PE). Na sexta posição geral no ranking, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) é o senador mais influente da lista.
Ambiente movimentado
Os parlamentares que aparecem no ranking dos mais influentes fazem, muitas vezes, malabarismo para não desagradar às redes. Entre 1.º e 20 de fevereiro, as postagens dos parlamentares petistas representaram 21,1% do total. O PSL ficou em segundo, com 12,6%.
Mas o partido de Bolsonaro foi o que mais conseguiu engajar seguidores: do total de interações, a sigla aparece com 46,5%, à frente do PT (7,6%), PSOL (6,5%), PSD (5,5%), Podemos (5%), DEM (4,7%), PDT (3,7%), PP (2,9%) e PR (2,4%).
Para calcular a influência de cada parlamentar, a pesquisa levou em consideração o número de seguidores, a quantidade de publicações, o alcance das mensagens e o engajamento – curtidas, comentários e compartilhamentos – em cada uma das três redes sociais.
Com apenas 59 mil seguidores no Twitter, o presidente da Câmara dos Deputadps, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é influente no Congresso e no governo, mas nem tanto nas redes sociais. No início do mês, ele declarou à imprensa que a influência da internet no Legislativo é relativa e depende de quanto o assunto é capaz de mobilizar a sociedade.
Os deputados “digitais”, segundo ele, também terão de aprender a trabalhar “offline”. “Quando o youtuber vira deputado, ele começa a ser cobrado sobre soluções. O seguidor dele vai querer saber como é que ele ajudou o Brasil a sair da crise”, observou Maia.
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