Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2019
A posse, nesta sexta-feira (1°), dos deputados estaduais eleitos em outubro para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) foi marcada por um constrangimento: os seis parlamentares presos foram chamados para prestar juramento duas vezes.
A eleição da Mesa Diretora será neste sábado. Serão os integrantes que vão decidir se os deputados presos serão ou não empossados. Caso não assumam até dia 31 de março, perdem o mandato. Nesta sexta, a maior parte dos deputados ouvidos pelo jornal Globo preferiu ficar em cima do muro preferindo afirmar que a decisão cabia à Justiça ou a Mesa Diretora sobre o futuro dos colegas.
Entre os que defendiam explicitamente que os deputados não fossem empossados estavam integrantes das bancadas do PSL e do Novo. O deputado Pedro Brazão (PR) estava entre os que defenderam.
Presidente interino, André Ceciliano (PT) deve ser eleito disputando em chapa única a presidência da casa.
Apontado como discípulo do agora senador Flávio Bolsonaro (PSL), cujo gabinete teve assessores apontados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por “movimentações atípicas”, Rodrigo Amorim (PSL), ao tomar posse no mandato, homenageou o amigo.
“(Estou aqui) para continuar o trabalho do maior líder político deste Estado, senador eleito Flávio Bolsonaro”, afirmou. Ao fim da cerimônia, questionado sobre o caso do relatório do Coaf, classificou-o de “massacre político”. A posse também teve homenagens à vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março passado, pedidos de “Lula livre”, gritos de “Bolsonaro Presidente” e minuto de silêncio dedicado ao deputado Wagner Montes (PRB), falecido no sábado passado
A nova composição da Alerj terá mais da metade de novos deputados. O número poderá aumentar em abril, quando acabará o prazo para os seis deputados presos tomarem posse. André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinicius Neskau (PTB) são investigados pela operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio. Anderson Alexandre (SD), ex-prefeito de Silva Jardim, foi alvo de operação do Ministério Público local. É acusado de receber propina.
Eleito para o quarto mandato, André Ceciliano (PT) presidiu interinamente a Alerj no ano passado após a prisão de Jorge Picciani (MDB). Nesta sexta, o petista também presidiu a cerimônia de posse, ocasião em que usou tom conciliador. Em breve fala, Ceciliano citou “momentos difíceis” pelos quais passou a Assembleia nos últimos anos e falou em “moralização”.
O petista deverá ser conduzido oficialmente à presidência da Alerj neste sábado. A estimativa é de que ele obtenha cerca de 50 votos. É possível que concorra sem nenhuma chapa opositora. Isso porque o PSL, dono da maior bancada com 12 deputados, teve dificuldades para viabilizar um candidato a presidente. Acabou isolado por articulações de Ceciliano, que fez acenos ao governador Wilson Witzel (PSC). Assim, o partido dos Bolsonaro, que elegeu grande número de parlamentares no Rio e no País com forte discurso anti-PT, verá um deputado do arquirrival comandar a Casa.
Parlamentares do PSL admitem que faltou experiência política à bancada. Há quem cite um suposto perfil mais individualista do partido.
“Hoje a bancada existe, mas o mandato está sendo individual, de cada um. Cada um está respondendo por si”, afirmou a deputada Alana Passos (PSL).
A cerimônia também teve a presença de Witzel. Coube a ele o discurso mais longo, de 15 minutos e 46 segundos. Desse tempo, 5min40s foram dedicados a cumprimentos ou agradecimentos. No resto do tempo, Witzel reafirmou o desejo de organizar as combalidas contas públicas do Estado. Também pediu ajuda da Alerj, com quem pretende trabalhar “com harmonia e independência”.
Os comentários estão desativados.