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Saúde Descubra se você exagera no exibicionismo

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É preciso saber quando os limites do narcisismo são ultrapassados, diz especialista. (Crédito: Reprodução)

Por se admirar demais, Narciso se apaixonou pela própria imagem refletida em um lago e, entorpecido, acabou mergulhando e morrendo afogado. Da mitologia grega para o século 21, casos de narcisismo patológico têm ficado mais evidentes com a possibilidade de exibição (e de afagar o ego) trazida pelas redes sociais, defendem especialistas. Contudo, até certo ponto, considerar-se o máximo faz bem à saúde. É o que aponta o recém-lançado livro “Rethinking Narcissism: the Bad – and Surprising Good – About Feeling Special” (“Repensando o Narcisismo: o Lado Ruim e o Surpreendentemente Bom de se Sentir Especial”), do psicólogo americano Craig Malkin, da Escola de Medicina da Universidade de Harvard (EUA).
“As redes sociais expõem a busca desenfreada por evidência e aplausos. Para o narcisista extremo, alcançar seguidores é muito bom. Em compensação, se houver alguma crítica, ele sofre muito mais do que quem não depende de aprovação externa”, analisa a psiquiatra Vânia Novelli, da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Mais do que simplesmente gostar de se mostrar, a reação do indivíduo quando ele não é o centro das atenções é o que diferencia o narcisismo saudável do patológico. Segundo o psiquiatra Marco Antonio Abud, o transtorno de personalidade narcísica faz com que a pessoa se coloque constantemente em situações para receber elogios. No entanto, se o retorno não é o esperado, ela fica angustiada, estressada e agressiva.
“Conforme o narcisista se afasta dos outros e coleciona fracassos, o problema pode evoluir para depressão e ansiedade. Mas o maior prejuízo é para as relações interpessoais”, afirma.
Comportamentos que também caracterizam o narcisismo patológico são nunca assumir a responsabilidade por erros e transferir a culpa para os demais; não reconhecer qualidades dos outros e só fazer algo pelo próximo se for receber algum benefício em troca. “Todos gostamos de ser admirados, e isso é importante porque tem a ver com autovalor e autoestima. Mas é preciso saber quando os limites são ultrapassados”, diz Abud.

 

Doença se origina na infância.

De acordo com a psicanalista Tatiana Ades, há duas teorias para a origem do transtorno de personalidade narcísica.
“Uma se refere a um bebê que não recebeu muita atenção da figura materna e cresce buscando alguém que o veja. Outra sugere um exagero de cuidados, que faz com que a criança se sinta tão onipotente que, mais tarde, procura quem possa admirá-la tanto quanto os pais”, explica. (AG)

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