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Brasil Desde 2015, as cinco maiores empresas estatais federais cortaram um quarto do total de empregados

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Processo de desestatização ainda precisa do aval do Tribunal de Contas da União. (Foto: Divulgação)

As cinco grandes estatais federais do País — Banco do Brasil, Correios, Caixa, Petrobras e Eletrobras — perderam mais de 111 mil empregados entre o início de 2015 e março deste ano. Juntas, cortaram pouco mais de um quarto de seu pessoal nesse período, recuando para um total de 327.397, segundo o Panorama das Estatais, do Ministério da Economia.

As maiores baixas estão concentradas na Eletrobras (-45,8%) — em vias de ser concedida à iniciativa privada — e na Petrobras (-42%).

Esse encolhimento é puxado por uma combinação de fatores, que vão da orientação para redução do tamanho do Estado desde o governo Michel Temer até a crise econômica, que impacta a capacidade de investimento das empresas e leva o governo a recorrer à venda de estatais para equilibrar as contas públicas.

Entra na conta ainda a digitalização de serviços e operações, sobretudo no setor financeiro.

“É uma correção de rumo, após um período de crescimento do setor (estatal) em governos anteriores. Foi como voltar um pouco o pêndulo do lado da expansão do Estado em que estava. No caso da Eletrobras, a privatização pesa, mas o cenário não é diferente na Petrobras”, afirma Sérgio Lazarini, professor do Insper.

Marco Tulio Zanini, professor da FGV EBAPE, frisa que a crise econômica contribui para esse processo de enxugamento:

“Há o contexto de recessão. Sem demanda, essas estatais perdem a perspectiva de produtividade futura e ficam com mão de obra ociosa ou subaproveitada. Não existe incentivo para a manutenção dessas empresas em seu nível máximo de produtividade. São setores desmotivados, com as companhias passando por grandes reestruturações.”

Lógica privada

Para enfrentar a crise, empresas na iminência de serem concedidas reduzem quadros já embarcando na lógica de operação do mercado privado.

“Essas empresas que estão para serem privatizadas já operam na lógica privada. Elas já entregam uma empresa com menor custo e maior receita”, observa Márcio Pochmann, economista e professor da Unicamp.

Ele lembra que, nos anos 1990, as estatais privatizadas tiveram corte de cerca de 35% dos funcionários após a venda. Agora, continua, o que sustenta esse movimento de redução de pessoal é a tentativa do governo de enfrentar a situação fiscal ao se desfazer de ativos, criando alguma mobilização de recursos do setor privado.

“O custo tem sido o principal foco das empresas, que têm feito o possível para manterem-se eficientes no mercado, mas isso tem limites se o faturamento e a economia não crescem”, avalia Pochman.

Na Petrobras, uma companhia de capital misto, houve efeito ainda da Operação Lava-Jato, dizem os especialistas.

“A Petrobras passou por reestruturação depois da Lava-Jato, com ativos vendidos. E o preço do petróleo andou mal nos últimos anos, foi uma situação extremamente crítica”, sublinha Zanini.

Os Correios, cujo processo de privatização segue sendo examinado pelo Congresso, sofre também impacto da digitalização, que reduziu a demanda por correspondências impressas. É efeito que alcança os bancos, que tiveram 67% das transações realizadas por canais digitais em 2020, segundo pesquisa da Febraban.

Esses mais de 111 mil profissionais dispensados desde 2015 tiveram diferentes destinos ao deixarem as estatais. Reinserção no mercado privado, transição de carreira, abertura de um negócio próprio, mudança de país ou, na pior hipótese, o desemprego, que é recorde no Brasil.

“Em geral, sabemos que a transição intersetorial é complicada. Executivos podem seguir para o setor privado. O duro é que vários setores das estatais estão em mercados de monopólio, então, é mais complicado. No setor elétrico existe o mercado das distribuidoras. Já para os bancários, temos a maioria dos bancos privados fechando agências”, diz Lazzarini.

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