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Desentendimento em seis atos

Primeiro: o Executivo enviou à Assembleia projeto eliminando a necessidade de plebiscito estabelecido por lei para vender estatais. Após cinco meses de negociações, não obteve os 33 votos para aprovar.
Segundo ato: diante do obstáculo, os governistas reconsideraram, apresentando proposta pela qual o Legislativo liberaria a realização de consulta à população sobre o futuro da CEEE, da Companhia Riograndense de Mineração e da Sulgás.

Terceiro ato: o presidente da Assembleia, deputado Edegar Pretto, ontem, considerou o projeto vago, porque não define se envolve federalização, privatização ou incorporação. Por isso, mandou arquivar.
Quarto ato: o governo alegou que não quis engessar e as emendas dos deputados dariam o contorno à proposta. Esqueceu, porém, de dar o aviso a todos.

Quinto ato: como em outras ocasiões, não houve ensaio e diálogo.

Último ato: o objeto em si do plebiscito ficou esquecido. Situação e oposição se embrenharam na formalidade.

No ataque

O mega delator Joesley Batista está sendo procurado no Catch Roff, Patrick e Del Pont, alguns dos restaurantes mais caros de Nova Iorque, para responder à acusação de Lula: “É um canalha que dizter uma conta para mim e para Dilma, mas a conta está no nome dele e ele é quem mexe na grana.”

Balanço da semana

Beneficiado por duas circunstâncias, o presidente Michel Temer afasta cada vez mais a hipótese de deixar o Palácio do Planalto. Em primeiro lugar, não surgiu um candidato que empolgue em eventual eleição indireta. Em segundo lugar, os números positivos da Economia fazem o governo respirar sem ajuda de aparelhos. Os empresários receiam que uma mudança atrapalhe muito.

Troca de comando

Rui Falcão termina hoje o período de sete anos na presidência nacional do PT. Com apoio de Lula, Gleisi Hoffmann deve sucedê-lo. Lindbergh Farias, que entrou na disputa, vai esperar por outra oportunidade.

Nova chance

Amanhã, vão se completar 20 anos da promulgação da emenda constitucional que passou a permitir a reeleição do presidente da República, de governadores e prefeitos. A tramitação durou dois anos e quatro meses, período em que surgiram denúncias da compra de votos para aprovação. Levou à proposta de CPI, jamais consumada por pressão contrária da base aliada ao governo Fernando Henrique. Foi uma grande virada de regra durante o jogo e que atendia ao propósito social-democrata de ficar 20 anos no poder.

Porta fechada

A reclamação é constante entre deputados estaduais da base aliada. O núcleo do poder no Piratini decide sem consultar e às vezes nem comunica, gerando desconforto.

Disparada

Em um ano, a conta subiu 33 milhões de reais. A 3 de junho de 2016, o placar eletrônico Jurômetro registrava 136 milhões. Hoje, está em 169 milhões. É o valor pago desde 1º de janeiro para rolar a dívida trilionária do governo.

Passando a tesoura

A identificação de Michel Temer como presidente camarada não durou muito. A 3 de junho do ano passado vetou a criação de 14 mil cargos federais aprovados pela Câmara dos Deputados.

Canetaço

Para coleção dos fatos raros: o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, recorreu e o Tribunal de Justiça revogou o reajuste das passagens de ônibus fixado em R$ 3,95. Ficou em R$ 3,80.

Calotes

Vendem e não entregam: a Agência Nacional de Saúde Suplementar suspendeu a comercialização de 38 empresas de planos de saúde de 14 operadoras em função de reclamações da cobertura assistencial.

Gasolina

A nota publicada ontem sobre o aumento do ICMS em Minas Gerais, de 29 para 31 por cento, refere-se ao item gasolina.

Caixas quebrados

Em conversas com servidores, governadores e prefeitos criaram e usam cada vez mais a expressão salário possível.

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