O Dia Nacional das Abelhas, celebrado em 3 de outubro, reforça a importância de iniciativas que unem produção agrícola e conservação ambiental. No Pampa Gaúcho, um projeto inovador mostra que lavouras de soja e colmeias podem coexistir de forma produtiva e sustentável.
A ação integra o Projeto Coexistência entre Agricultura e Apicultura – Mel de Florada de Soja do Pampa Gaúcho, desenvolvido pela BASF Soluções para Agricultura Brasil em parceria com apicultores locais. Durante a safra 2025/26, os 23 apicultores participantes extraíram cerca de 36 mil quilos de mel, resultado 44% superior ao ciclo anterior. O aumento da presença de polinizadores também trouxe benefícios às lavouras, evidenciando que agricultura e apicultura podem se fortalecer mutuamente.
Para celebrar os resultados, em agosto foi realizado um mutirão ecológico em São Gabriel (RS), com o plantio de 5 mil mudas de espécies nativas em uma área de 2,5 hectares. A ação envolveu agricultores, apicultores, estudantes, pesquisadores, moradores locais e o Exército. Entre as espécies escolhidas estão pitangueiras, guabijus, ipês de várias cores, araucárias e aroeiras, num total de 27 variedades. A seleção buscou ampliar a oferta de flores ao longo do ano, garantindo alimento para abelhas e outros polinizadores mesmo fora da florada da soja.
Segundo Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, o projeto comprova que “produtividade agrícola e conservação ambiental podem caminhar juntas”. A iniciativa também foi reconhecida no 4º Encontro Abelheiro, em Carazinho (RS), onde a BASF recebeu o troféu Guardiões da Apicultura pela contribuição ao fortalecimento da atividade na região.
O impacto ambiental é significativo. Dados do MapBiomas revelam que o Pampa perdeu 40% de seus campos nativos entre 1985 e 2024, passando de 9,8 milhões para 5,9 milhões de hectares. Nesse contexto, ações de restauração ajudam a recuperar áreas estratégicas, proteger recursos hídricos e ampliar a conectividade entre fragmentos verdes, essenciais para a fauna e para os serviços ecossistêmicos que sustentam o agronegócio.
Tiago Egydio Barreto, da Fundação Eco+, destaca que o plantio coletivo “deixa um legado ambiental e social para as próximas gerações”. Já o professor André Carlos Cruz Copetti, da Unipampa, ressalta que a participação da universidade aproxima ciência e campo, promovendo pesquisa, extensão e educação ambiental. Para Felipe Biernaski, dirigente da APACHA, o projeto representa um compromisso com a preservação dos ecossistemas e com o futuro da região.
O trabalho terá continuidade na safra 2026/27, com expectativa de engajar mais produtores e consolidar um modelo colaborativo capaz de inspirar outras regiões do Brasil. A iniciativa integra o programa global Starting Ventures, da BASF, voltado ao desenvolvimento de negócios inovadores que conciliam desempenho econômico, social e ambiental. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
