Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de dezembro de 2016
Neste sábado, 17 de dezembro, é comemorado o Dia do Pampa. Apesar da importância da área para o Rio Grande do Sul, ela foi reconhecida como bioma apenas em 2004 e a data instituída em 2007, em homenagem ao ambientalista José Lutzenberger – importante nome da preservação ambiental, criador da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e da Fundação Gaia.
Único bioma brasileiro restrito a apenas um Estado, o Pampa ocupa mais da metade do RS e possui grande biodiversidade. Entretanto, sua capacidade produtiva pecuária e a perda para a agricultura e plantio de eucalipto ameaçam a conservação da área, que possui menos de 1% na categoria de unidades de conservação de proteção integral.
De acordo com Paulo de Tarso Antas, biólogo, doutor em Ecologia e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a situação dos ambientes aquáticos é preocupante, já que o pampa é mais conhecido por suas áreas de campos. A APA (Área de Proteção Ambiental) do Ibirapuitã, distribuída entre quatro municípios, possui aproximadamente 316 mil hectares e atrai a atenção dos ambientalistas.
“Um projeto tenta há muito tempo aumentar o grau de proteção das partes médias do rio e tornar a APA do Ibirapuitã uma unidade de proteção integral. Entretanto, a ação está parada há pelo menos quatro anos, o que torna necessária a discussão sobre sua ampliação e conservação”, ressalta.
Riscos à biodiversidade
O bioma sofre ainda com o aumento da frequência e intensidade de inundações. Para Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pela Massachussets Institute of Technology e também membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, as mudanças dos usos da terra – como a redução da cobertura de vegetação e compactação dos solos de pastagens mal manejadas – e o aquecimento global são os responsáveis pelos desastres naturais causados pelas constantes inundações.
“Esses fatores podem representar um risco adicional ao Pampa e a sua biodiversidade, ainda que as espécies de gramíneas sejam mais resistentes a aumentos de temperatura. Por ser naturalmente um bioma dominado por elas, a pecuária sempre foi um uso da terra preferencial na região. Entretanto, a maioria da pecuária é de baixa produtividade e causou historicamente a sua degradação”, aponta Nobre.
Iniciativas aliam pecuária e conservação
Uma das alternativas para aliar a capacidade produtiva e a conservação é a pecuária sustentável. Como forma de incentivar o desenvolvimento de uma prática que alie a conservação dos campos naturais, os países do Cone Sul criaram a Alianza del Pastizal. Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), atualmente, são mais de 120 propriedades no Rio Grande do Sul que se comprometem em conservar pelo menos 50% dos campos naturais da área total de produção.
O biólogo Pedro Develey, diretor da SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, afirma que o programa é uma forma de certificar que a carne produzida proteja o bioma e sua biodiversidade. “Graças à iniciativa, realizada em conjunto com Argentina, Uruguai e Paraguai, cerca de 80 mil hectares foram preservados no Pampa gaúcho. O programa é rentável para o produtor, para a biodiversidade e para o consumidor, que tem acesso a um produto de qualidade e que contribui para a conservação ambiental”, completa.
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