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Saúde Diante do debate sobre a maconha medicinal, o Conselho Federal de Medicina resolveu fazer uma revisão dos estudos científicos no mundo sobre os efeitos do canabidiol, uma das substâncias da planta mais usadas para o tratamento de doenças

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A proposta da Anvisa prevê o plantio e a produção restritos a empresas, que devem obter um tipo de licença especial. (Foto: Reprodução)

Diante do debate acalorado nos últimos meses sobre a Cannabis medicinal, o CFM (Conselho Federal de Medicina) resolveu fazer uma revisão bibliográfica dos estudos científicos no mundo sobre os efeitos do CBD (canabidiol), uma das substâncias da planta mais usadas para o tratamento de doenças. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

“Não podemos ser irresponsáveis com a saúde da população”, disse o psiquiatra Salomão Rodrigues, conselheiro pelo estado de Goiás. “Os dados ainda estão sendo tabulados. Precisamos saber com mais exatidão os riscos e os benefícios do canabidiol”, diz.

O CFM adianta apenas que, como existem evidências no uso compassivo do canabidiol para epilepsia, a revisão vai abraçar todas as doenças neurodegenerativas.

Em 2014 a entidade autorizou os médicos do país a prescreverem o canabidiol, uma das substâncias presentes na maconha, para crianças e adolescentes com casos graves de epilepsia refratária.

Já em relação ao THC, substância da maconha que tem efeitos psicoativos, a entidade tem uma série de restrições. “O depoimento da senadora Mara Gabrilli no Senado emocionou todos”, diz Rodrigues. “Quando ela falou que o que funciona para um não funciona para o outro é verdade. Por isso que não orientamos a prescrição.”

Apesar de evidências positivas no tratamento de diferentes doenças, como o de Gabrilli, o conselheiro diz que não existem estudos clínicos que tragam segurança para a prescrição. Ele afirma que seriam necessários estudos de longo prazo, de três fases a quatro fases (nas quais são verificadas a segurança e a eficácia do potencial medicamento), que podem levar anos.

De acordo com o Conselho Nacional e Saúde para novos fármacos não registrados no país, a fase 1 é feita em pequenos grupos de pessoas voluntárias e sadias para estabelecer a condição preliminar de segurança e levantar o perfil farmacodinâmico (efeitos fisiológicos) e farmacocinético (comportamento metabólico) do novo medicamento.

O segundo passo tem o objetivo de investigar a segurança em curto prazo no tratamento de doenças selecionadas. A fase 3 é uma pesquisa ampliada, com vários grupos de pacientes, para estabelecer riscos e benefícios a curto e longo prazo.

Por último, o quarto estágio começa depois da comercialização do medicamento para avaliar o surgimento e a frequência de reações adversas esperadas ou não.

“Em crianças e adolescentes, o THC diminui o potencial intelectual em 10% ou 15%, independentemente da concentração. Quando usado por adultos, pode levar a quadros psicóticos”, afirma Rodrigues. As reações dependem do nível de tolerância de cada indivíduo, por isso o CFM é contra a prescrição da substância.

A mesma razão leva a entidade a não aprovar o plantio doméstico. “Não tem como saber ao certo a quantidade de substâncias de cada planta a cada florada. Isso só pode ser feito por um laboratório.”

A proposta da Anvisa prevê o plantio e a produção restritos a empresas, que devem obter um tipo de licença especial.

A associação de pacientes Apepi (Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis), do Rio de Janeiro, cultiva a Cannabis com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro para analisar e filtrar o óleo de planta. Já a Cultive, em São Paulo, conta com apoio de Elisaldo Carlini, professor na Faculdade de Medicina da Unifesp. No entanto, suportes científicos como esses não são regra.

“Nos EUA, o THC já é usado em pacientes terminais de câncer. Há evidências que ele dá mais conforto para o doente do que a morfina, que pode gerar alucinações e quadros psicóticos. Isso é uma tendência e não vai demorar para chegar aqui”, diz Rodrigues.

O aval do Conselho Federal de Medicina para o THC só virá quando forem realizados testes clínicos.

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