Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de junho de 2016
A presidenta afastada Dilma Rousseff afirmou que a hipótese de novas eleições não deve ser “descartada em hipótese alguma” e que, antes disso, é necessária a recomposição da “normalidade democrática” no país com o fim do processo de impeachment contra ela. Em entrevista à jornalista Mariana Godoy, da Rede TV!, exibida nesta sexta-feira (10), Dilma reafirmou que o impeachment é um “golpe” e que há “desvio de poder” no processo.
Segundo ela, esse “desvio de poder” está confirmado principalmente na divulgação da conversa do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o então ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), que sugeriu uma “mudança” no governo federal para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava-Jato.
“Nós estamos lutando para que [as gravações recentes] sejam incluídas na defesa do impeachment porque elas constituem claras provas do que nós falamos, do desvio de poder e desvio de finalidade, primeiro na aceitação do processo de impeachment pelo senhor Eduardo Cunha” disse Dilma.
Dilma também afirmou que o presidente da Câmara afastado Eduardo Cunha é “de direita, conservador e sem princípios éticos”. “Que ele [Cunha] responda na Justiça pelas contas na Suíça e por ter negado que ele tinha contas na Suíça”, destacou.
Em relação ao governo do presidente interino, Michel Temer, Dilma criticou medidas implantadas como, por exemplo, a redução de ministérios. “Não dá para acabar com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O futuro do nosso país depende da ciência, da tecnologia e da inovação. Não é assim que se dirige um Estado. Reduzindo ministérios a economia é mínima, isso se houver economia, se não ficar mais caro”, afirmou.
Durante a entrevista, a presidenta afastada voltou a negar que tinha conhecimento de irregularidades e pagamentos de propinas na compra da refinaria Pasadena pela Petrobras, nos Estados Unidos, em 2006. Na época, Dilma era presidente da estatal. Ela criticou as acusações do ex-diretor da Petrobras Néstor Cerveró que, em depoimento à Lava-Jato, afirmou que “ela sabia de tudo”. “Ele prova? Não. Eu nunca tive amigo da qualidade do senhor Nestor Cerveró”, afirmou Dilma. (Folhapress)
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