Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2017
Sem citar nomes, a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou na terça-feira (18) que integrantes do Judiciário brasileiro seguem interpretações legais “extremamente questionáveis” e adotam “medidas de exceção” que são uma ameaça à democracia.
Em palestra na Universidade George Washington, na capital americana, Dilma criticou pronunciamentos de juízes fora dos autos, condenou vazamentos seletivos e lembrou que foi grampeada durante o exercício do cargo. “O que está acontecendo no Brasil é algo grave, que caracteriza lawfare”, afirmou, usando a expressão em inglês que significa o uso político do Judiciário contra adversários.
A ex-presidente fez referência específica à decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região no caso da escuta telefônica que captou conversas suas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Apesar de o juiz que autorizou o grampo ter pedido desculpas ao Supremo, o tribunal não considerou que grampear presidente é crime”, afirmou, em referência a Sérgio Moro, responsável pela Lava-Jato na primeira instância.
“Grampeie um presidente da República aqui e cai na Lei de Segurança Nacional. O que fizeram no Brasil foi grampear um presidente e disseram que foi uma medida excepcional em um momento excepcional.” Dilma também criticou vazamentos de informações judiciais. “Julgar pela imprensa é um crime contra a democracia. É crime porque fere a democracia, compromete a democracia, destrói a democracia.”
Apesar das críticas ao Judiciário, a ex-presidente disse ser a favor da Operação Lava-Jato e reconheceu a dimensão inédita das irregularidades reveladas pela investigação. Durante 53 minutos, Dilma defendeu seu governo e repetiu a tese de que foi vítima de um golpe parlamentar, promovido por setores interessados em retomar um projeto neoliberal no Brasil.”Quando se faz impeachment sem crime de responsabilidade, abre-se a caixa de monstros e os monstros normalmente devoram quem abriu a caixa”, afirmou.”Isso está acontecendo com a pessoa que foi derrotada na eleição de 2014, o senador Aécio Neves.”
A ex-presidente afirmou que Lula é alvo da mais “violenta” e “sistemática” campanha de destruição de reputações do Brasil, comparável às que foram sofridas por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Ainda assim, ele tem 40% de intenção de voto nas pesquisas sobre a eleição de 2018, afirmou. “Se o Judiciário quiser afastá-lo [da disputa], terá de pensar bastante, porque são muito frágeis as provas contra ele.”
Na sua avaliação, a origem da crise atual é política e não econômica.”A profunda crise que estamos vivendo é resultado da irresponsabilidade daqueles que criaram a maior crise política que o País experimentou pós ditadura militar”, disse, lembrando que a discussão do processo de impeachment começou três meses depois da sua posse. (AE)
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