Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2026
A EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, identificou o caminho do dinheiro desviado da instituição, que se transformou em imóveis de luxo nas montanhas nevadas de Aspen e à beira mar, em Miami. Em petição protocolada no tribunal federal de falências da Flórida, a massa falida pede a anulação de transferências e o bloqueio imediato de propriedades avaliadas em mais de US$ 168 milhões (cerca de R$ 840 milhões).
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, afirmou que não comentaria.
A petição lista três propriedades. Uma em Owl Creek, em Aspen, pela qual foram pagos à vista US$ 77 milhões (por volta de R$ 385 milhões), além de quase US$ 30 milhões (R$ 149 milhões) colocados em reformas e despesas. Também estão lá duas propriedades em Sabal Palm Road, em Miami, compradas em 2025, quando o banco já estava em dificuldades. No total, foram desembolsados US$ 127,5 milhões (cerca de R$ 639 milhões) entre a aquisição e despesas associadas por ambas.
A peça judicial detalha como Vorcaro teria utilizado uma intrincada teia de fundos nas Bahamas e nas Ilhas Cayman, empresas de fachada nos EUA e contratos de aluguel fictícios para desfrutar pessoalmente de mansões milionárias, enquanto a instituição bancária acumulava um déficit bilionário no Brasil.
Por meio do rastreamento do dinheiro, o liquidante foi capaz de comprovar que os valores do banco no Brasil eram drenados via duas rotas offshore (para fora do País) principais. Uma era via Bahamas e a outra, via Cayman (mais detalhes no gráfico no fim do texto).
Depois de passear pelo Caribe, o dinheiro era enviado para Nova York, onde eram feitos empréstimos simulados a empresas de fachada nos EUA, criadas via trusts (estruturas de proteção) familiares. Essas estruturas compravam imóveis milionários em dinheiro vivo e sem financiamento bancário.
Posteriormente, essas estruturas firmaram contratos de locação de 10 anos concedendo a Vorcaro o direito exclusivo de residir nos imóveis, com opção de compra abatendo de 70% a 100% dos aluguéis pagos.
Segundo o liquidante, Vorcaro utilizava os imóveis como residência pessoal e supervisionava as reformas, mas jamais pagou nenhuma parcela de aluguel. As empresas nunca executaram a cobrança da dívida, o que evidenciaria o uso de estruturas erguidas unicamente para servir de blindagem patrimonial.
Alguns detalhes importantes comprovam essa tese. Uma das sócias de um dos fundos contatou urgentemente a uma das empresas de fachada dona dos imóveis informando que Daniel Vorcaro havia sido erroneamente listado como proprietário das empresas. Ela instruiu a alteração imediata dos papéis para colocar um dos trusts como membro ostensivo e apagar a ligação direta com Vorcaro.
Alguns detalhes importantes comprovam essa tese. Uma das sócias de um dos fundos contatou urgentemente a uma das empresas de fachada dona dos imóveis informando que Daniel Vorcaro havia sido erroneamente listado como proprietário das empresas. Ela instruiu a alteração imediata dos papéis para colocar um dos trusts como membro ostensivo e apagar a ligação direta com Vorcaro. (Com informações do portal Estadão)
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