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Política Diplomata vê “injustiça” em crítica de Bolsonaro a embaixadores do Brasil nos Estados Unidos

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Maria Celina de Azevedo Rodrigues é presidente da Associação dos Diplomatas do Brasil. (Foto: Reprodução/Youtube)

Para a presidente da ADB (Associação dos Diplomatas do Brasil), Maria Celina de Azevedo Rodrigues, é “injusto” o presidente da República, Jair Bolsonaro, dizer que os embaixadores do Brasil nos Estados Unidos “não fizeram nada de bom”.

De acordo com ela, a alegada proximidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) com a família Trump “pode ser um trunfo, pode não ser”. Segundo Celina, os embaixadores “devem ter certa distância, certo equilíbrio, nas relações com a sociedade como um todo, com acesso inclusive à oposição”.

Atualmente aposentada, ela foi embaixadora do Brasil na Colômbia, cônsul em Paris (França) e chefe da missão brasileira junto à Comunidade Europeia em Bruxelas, na Bélgica. Celina opina que o sucesso do filho do presidente nos Estados Unidos “vai depender da permeabilidade e da acessibilidade da família Trump no dia a dia”.

“Depende da real acessibilidade com a família Trump na vida, no dia a dia. Uma coisa é você ser amigo, outra é você ter acesso no dia a dia, porque o presidente Trump é muito ocupado, tem muito o que fazer. Então, é muito difícil você partir do princípio de que isso aí é o trunfo. Pode ser, pode não ser”, declarou.

“Eu insisto: depende da permeabilidade da família Trump. Em se confirmando, pode ser positivo, sim, mas é importante ressaltar que todo embaixador, seja de carreira ou por indicação política, deve ter certa distância, certo equilíbrio, nas relações com a sociedade como um todo. Tem de ouvir a opinião de todos, do mundo político, econômico, acadêmico, da mídia, dos meios diplomáticos de terceiros países, da sociedade civil e dos setores de oposição, para enviar relatos e análises o mais objetivos possíveis, que possam pautar as nossas ações”, prosseguiu a diplomata.

Consulta aos EUA

O Brasil submeteu aos Estados Unidos a sugestão do nome de Eduardo Bolsonaro para ocupar a embaixada em Washington, afirmaram na sexta-feira (26) o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Foi pedido o ‘agrément’ e esperamos a resposta americana, de acordo com a praxe diplomática. Mas tenho a grande certeza de que será concedido pelo governo americano, e Eduardo Bolsonaro será um ótimo embaixador”, disse Araújo, em entrevista coletiva durante o encontro de ministros das Relações Exteriores que formam o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Rio de Janeiro.

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