Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de setembro de 2021
A suspensão da partida entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias do Copa do Mundo, no último domingo (5) ainda promete muita polêmica. Em entrevista ao canal por assinatura SporTV, o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Alex Machado Campos, culpou o país vizinho pelo incidente.
Os jogadores envolvidos na questão são Emiliano Martínez, Buendía, Cristian Romero e Lo Celso. Antes de desembarcar no Brasil, o quarteto que veio da Inglaterra passou por Argentina e Venezuela devido a compromissos com a Seleção.
Apesar de não terem vindo diretamente, os jogadores estiveram há poucos dias no país britânico, enquadrado na “zona vermelha” de alto risco. Assim, a liberação só é emitida a partir do cumprimento da quarentena obrigatória ou por meio de um pedido especial.
Na Argentina, a repercussão apontou que autoridades brasileiras seriam responsáveis pelo entrevero e posterior adiamento do clássico. Campos, porém, afirmou que a delegação formada por Lionel Messi e companhia desafiou as normas brasileiras.
“A Anvisa não tentou conversar”, garante Campos. “A delegação argentina foi informada sobre a quarentena dos jogadores no sábado de manhã. Eles entraram no Brasil com informações falsas.”
Ainda de acordo com o diretor da Anvisa, é importante frisar que qualquer viajante que ingresse no Brasil, seja nacional ou estrangeiro, deve preencher o formulário oficial em que declara a boa fé não só na prestação da informação, mas também no cumprimento das normas brasileiras e ser responsável por seus descumprimentos.
Outros trechos da entrevista
– “Primeiro, eles negaram a passagem pelo Reino Unido. Quando a Anvisa descobriu a possível infração, iniciamos uma cadeia de atos da qual participou o Ministério da Saúde. No sábado, a Secretaria de Saúde de São Paulo notificou a Argentina que os jogadores sequer podiam participar dos treinamentos. No domingo, recebemos a informação que os atletas estiveram no treino. Assim, acionamos a Polícia Federal para impedir qualquer deslocamento desses jogadores para Itaquera”.
– “Em nenhum momento a Anvisa pretendia interromper a partida. Desde o dia anterior, recomendamos a segregação dos jogadores. Essa determinação foi descumprida reiteradamente. No dia do jogo, chegamos com uma hora de antecedência e tivemos nossa atuação impedida até a hora da partida”.
– “Foi constrangedor as cenas nos vestiários. Nosso servidor, que atuou de forma corajosa, só tinha uma missão: segregar os jogadores que estavam, naquele momento, no terceiro ato de desafio à norma brasileira”.
– “Se alguém é culpado pelo fim do espetáculo, esse personagem não é a Anvisa. As autoridades argentinas estavam cientes do relatório técnico emitido, inclusive sobre uma possível ação da Polícia Federal. Foi um episódio lamentável. O jogo poderia ter continuidade, foi uma decisão das autoridades desportivas”.
– “Não pode se atribuir à Anvisa por esse episódio lamentável. A Argentina deveria ter protocolado um pedido especial para liberação dos jogadores. Não ocorreu. Não é uma portaria da agência. Três ministros de Estado ditaram as normas. Nesse caso específico, a norma proíbe que viajantes que tiverem histórico de passagem nos últimos 14 dias pelo Reino Unido, África do Sul, Índia e Irlanda do Norte ingressem no Brasil”.
– “Os jogadores da Argentina não tinham que passar a quarentena no Brasil, eles estavam impedidos de entrar no país seguindo luzes das normas brasileiras, não da Anvisa. Eles deram um mau exemplo ao enfrentaram a lei brasileira a todo instante”.
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