Domingo, 16 de agosto de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Discriminação contra pessoas com sobrepeso ou obesidade dificulta o acesso à saúde

Compartilhe esta notícia:

O percentual de jovens com sobrepeso vinha aumentando desde 2013 e deu um salto na pandemia em todas as regiões brasileiras. (Foto: Reprodução)

A discriminação relacionada ao peso corporal é uma realidade frequente na América Latina e no Caribe e está associada a impactos que vão de danos à saúde mental à maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A conclusão é de uma revisão sistemática liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

O trabalho reuniu evidências de 46 estudos realizados em diferentes países da região para compreender como pessoas com sobrepeso e obesidade vivenciam o preconceito em seu cotidiano.

Os pesquisadores identificaram relatos de estigma em 97,8% das pesquisas analisadas. Segundo o estudo, as experiências incluem exclusão social, bullying, sofrimento emocional, estereótipos morais e conflitos familiares, além de consequências que comprometem a qualidade de vida e a procura por cuidados médicos.

Em nota, a FMUSP reforça que “sobrepeso” e “obesidade” são classificações clínicas utilizadas para orientar o cuidado em saúde e não devem ser interpretadas como traços de caráter ou comportamento.

“Não se trata de um fenômeno isolado, mas de um processo contínuo que afeta a autoestima, a identidade e as oportunidades dessas pessoas”, afirmou, em nota, a professora Fernanda Baeza Scagliusi, coordenadora do estudo.

Impactos

A revisão mostra que o estigma relacionado ao peso costuma começar ainda na infância, principalmente por meio de apelidos, piadas e outras formas de bullying.

Ao longo da vida, essas experiências podem favorecer o isolamento social, a vergonha, a ansiedade, a tristeza e a baixa autoestima. Segundo os pesquisadores, muitas pessoas passam a evitar situações sociais por medo de novos episódios de julgamento.

Esse processo também interfere diretamente na forma como essas pessoas buscam atendimento médico. De acordo com o estudo, o preconceito está presente dentro dos próprios serviços de saúde, onde pacientes relatam julgamentos morais, desrespeito e a tendência de profissionais de saúde atribuírem diferentes sintomas exclusivamente ao peso corporal.

“Quando esse viés se manifesta no sistema de saúde, ele se torna uma barreira concreta ao cuidado. Muitas pessoas deixam de procurar atendimento ou têm suas queixas reduzidas ao peso corporal, o que compromete diagnósticos e tratamentos”, ressalta Fernanda.

Mulheres

Segundo a revisão, mulheres são as principais vítimas da discriminação relacionada ao peso. Os pesquisadores atribuem esse cenário à maior pressão estética exercida sobre o corpo feminino, que torna mais frequentes os julgamentos sobre aparência e amplia a cobrança social por um padrão corporal considerado ideal.

O estudo também mostra que comentários de familiares, parceiros e pessoas próximas ajudam a perpetuar esse preconceito. Como essas atitudes costumam ocorrer nas relações do dia a dia e, muitas vezes, são interpretadas como demonstrações de cuidado, acabam sendo naturalizadas e comprometem a autoestima e o bem-estar emocional.

A pesquisadora afirma ainda que muitas mulheres acabam internalizando as mensagens negativas recebidas ao longo da vida, o que amplia o sofrimento psicológico e dificulta a construção de uma relação saudável com o próprio corpo. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Apesar do movimento “álcool zero”, simples moderação no consumo já tem efeito positivo a longo prazo
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x