Segunda-feira, 05 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Disseminação acelerada da variante ômicron por todo o mundo preocupa autoridades sanitárias, mas pode indicar que a pandemia de covid está próxima do fim

Compartilhe esta notícia:

Fato de variante avançar mais e matar menos cria hipótese. Mas a ciência ainda não tem a resposta. (Foto: Reprodução)

Embora seja muito mais transmissível do que as anteriores, a Ômicron tem se revelado muito menos virulenta. Para alguns especialistas, a imunidade contra o vírus será cada vez mais disseminada, apontando para o fim da crise sanitária. Mas outros pesquisadores preferem a cautela e alertam para o perigo de afrouxar as medidas anticovid.

Cientistas como Margareth Dalcolmo, da Fiocruz; Amilcar Tanuri, da UFRJ; e Gonzalo Vecina, da USP, são cautelosamente otimistas ao defender essa hipótese, baseados no comportamento de epidemias do passado e na própria virologia.

Outros especialistas dizem que, embora o raciocínio dos colegas esteja correto, ainda é cedo para falar em fim da pandemia, sobretudo em se tratando de um vírus tão afeito a mutações. Em alguns pontos, no entanto, todos concordam. A vacinação continua sendo a principal arma contra a doença, ao lado do uso de máscaras e do distanciamento.

“Pandemias acabam, não há um ciclo infinito de novas variantes. Até a gripe espanhola acabou, sem vacina nem tratamento”, explica a pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz. “Posso dizer com certeza que não vai aparecer uma nova variante de preocupação mais grave? Não. Mas a probabilidade é pequena. O comportamento das viroses agudas de transmissão respiratória é ter cepas menos letais, mais transmissíveis, que vão imunizando todo mundo.”

Coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, Amilcar Tanuri concorda com a colega. Do ponto de vista do vírus, a Ômicron representa o ideal evolutivo. A variante se propaga muito rapidamente e não mata o hospedeiro. Isso a ajuda a se disseminar ainda mais. Vírus muito agressivos, que matam praticamente toda pessoa infectada, não sobrevivem por muito tempo. Seguindo esse raciocínio, a nova variante pode ser a última do Sars-cov-2 e acabar se tornando endêmica.

“Tudo nos leva a crer que o vírus chegou a um ponto da sua escalada evolutiva em que atingiu a ‘perfeição’”, afirmou Gonzalo Vecina, professor da USP, ex-diretor da Anvisa. “E o que é a ‘perfeição’ para um vírus? É manter o hospedeiro vivo. Para se reproduzir, ele precisa de um hospedeiro. Isso é o máximo que um vírus pode sonhar em termos de evolução.”

A ideia é compartilhada também por especialistas estrangeiros. “Acho que essa variante é o primeiro passo em um processo por meio do qual o vírus se adapta à população, gerando sintomas mais benignos”, afirmou Julian Tang, professor de Ciências Respiratórias da Universidade de Leicester, no Reino Unido, em entrevista ao The Guardian. “É vantajoso para o vírus infectar pessoas que não ficam muito doentes porque, dessa forma, elas podem sair por ai espalhando o vírus ainda mais.”

Para esses cientistas, a covid-19 continuará aparecendo sazonalmente, como a gripe. Possivelmente será necessário vacinar anualmente a população ou, pelo menos, os mais vulneráveis.

A Ômicron foi descoberta há um mês na África do Sul e já é a variante dominante. Inicialmente, gerou grande preocupação pelo número excessivo de mutações apresentadas, a maioria na proteína Spike, que causa a invasão das células. Estudos mostraram que as mutações facilitavam a infecção não só das pessoas ainda não imunizadas, mas também daquelas já vacinadas.

Logo ficou claro que a variante causava episódios bem menos graves de covid-19. Um estudo da Universidade de Cape Town, na África do Sul, revelou que pacientes hospitalizados nesta quarta onda da pandemia eram 73% menos passíveis de desenvolver uma doença grave do que aqueles admitidos durante a terceira onda, da Delta.

Infecção

Vários fatores contribuem para que a Ômicron seja menos agressiva do que as variantes anteriores. Um deles é a capacidade do vírus de infectar os pulmões. A infecção pelo Sars-cov-2 tipicamente começa no nariz ou na boca e se espalha garganta abaixo. Uma infecção leve fica restrita ao trato respiratório superior, mas quando o vírus alcança os pulmões surgem os casos mais graves.

Diferentes estudos divulgados na semana passada mostram que a nova variante não chega aos pulmões tão facilmente quanto as anteriores em razão das mutações. Entretanto, também por causa delas, a Ômicron é mais transmissível. O vírus se espalha mais facilmente quando se replica no trato respiratório superior.

Outro estudo, de Hong Kong, publicado em pre-print na semana passada, revelou que as pessoas vacinadas que se contaminaram com a ômicron geraram também respostas imunológicas mais fortes contra outras variantes do vírus. É um novo indício de que a nova variante pode ser o prenúncio do fim da pandemia.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Veto ao programa de renegociação de dívidas de pequenas empresas pode prorrogar prazo para aderir ao Simples
Governo federal honrou 8 bilhões de reais em dívidas não pagas por Estados e municípios em 2021
Pode te interessar