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Economia Dívida elevada e dúvidas sobre o rumo da taxa Selic pressionam as companhias

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Se o presidente reeleito não avançar em soluções para conter o elevado crescimento da dívida pública, o ritmo de queda dos juros pode ser comprometido. (Foto: Reprodução)

A combinação de juros elevados e incertezas sobre a condução das contas públicas pode deixar as empresas brasileiras ainda mais pressionadas no próximo governo Lula. Na avaliação de especialistas, se o presidente reeleito não avançar em soluções para conter o elevado crescimento da dívida pública, o ritmo de queda dos juros pode ser comprometido, seja por uma queda mais lenta ou até pela paralisação do ciclo de corte da Selic, a taxa básica de juros. E isso afetaria diretamente a saúde financeira das empresas endividadas.

Segundo Ricardo Knoepfelmacher (mais conhecido como Ricardo K.), sócio da RK Partners, responsável pelas principais reestruturações no Brasil, a estimativa é de que hoje mais de R$ 700 bilhões estejam em negociação com bancos e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidcs). Em sua avaliação, o estoque elevado de dívida talvez seja hoje o maior problema.

“Com juros nominais e reais nas alturas há bastante tempo, muitas empresas acumularam um volume de dívida cujo custo financeiro compromete a geração de caixa”, diz Knoepfelmacher. Um estudo realizado pela consultoria dá a dimensão da dificuldade enfrentada pelas companhias nesse ambiente de juro alto: 26% das empresas de capital aberto hoje não têm capacidade de pagar nem as despesas financeiras com a própria geração de caixa operacional.

A indústria de transformação e o comércio concentram quase metade das companhias que não têm capacidade de pagar essas despesas. Não por acaso, elas são também as mais endividadas. Ou seja, a dívida líquida equivale a três vezes a geração de caixa operacional anual (relação dívida líquida/Ebtida). Quanto maior esse indicador, maior o comprometimento da companhia com as dívidas.

O resultado dessa equação tem produzido uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais. Na indústria, são muitos os casos de companhias que entraram na Justiça com pedidos de recuperação judicial e extrajudicial ao longo dos últimos meses, como aconteceu com Braskem e Unigel. No varejo, os exemplos de dificuldade também se avolumam. A lista envolve Casas Bahia, Grupo Pão de Açúcar (GPA) e o grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, por exemplo. Mais recentemente, outras marcas famosas recorreram à Justiça, como aconteceu com Habib’s, Ri Happy e JAC Motors.

No atual cenário, a expectativa é de que essa lista aumente ainda mais nos próximos meses, já que os efeitos do custo elevado do crédito sobre as empresas demoram de um a três trimestres para aparecer, enquanto o avanço da inadimplência tende a se transformar, mais adiante, em insolvência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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