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Ciência DNA de micróbios revela “impressão digital” de 60 cidades do mundo

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Pesquisa ajuda a descobrir organismos desconhecidos e a identificar bactérias resistentes a antibióticos. (Foto: Reprodução)

Cidades do mundo inteiro podem ser identificadas por seus micro-organismos. É o que revela o artigo “Um mapa metagenômico global de microbiomas urbanos e resistência antimicrobiana”, publicado na revista científica Cell. O estudo aponta que cada cidade tem uma espécie de impressão digital microbiana exclusiva.

Através da análise, ao longo de três anos, de 4.728 amostras de micro-organismos presentes em sistemas de transporte de massa em 60 cidades de seis continentes, cientistas do Consórcio Internacional Metagenômica e Metadesenho do Metrô e Biomas Urbanos (MetaSUB), que conta com pesquisadores brasileiros da Fiocruz, da USP e do A.C.Camargo Cancer Center, montaram um catálogo mundial de ecossistema microbiano urbano.

“O que a gente vê nesse trabalho é que a presença de grupos bacterianos reflete muito da cidade como um todo. Densidade demográfica, presença de poluentes, meios de transportes que são usados, o que as pessoas comem, hábitos de higiene, tudo isso vai determinar a composição de bactérias de uma determinada cidade”, explica o cientista Emmanuel Dias-Neto, diretor do consórcio MetaSUB para a América do Sul e cientista chefe do Laboratório de Genômica Médica do Centro Internacional de Pesquisas (Cipe) do A.C.Camargo Cancer Center.

Só na América do Sul, foram recolhidas 331 amostras, 199 delas em três cidades brasileiras: Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e São Paulo.

A análise revelou um conjunto de 31 espécies que foram encontradas em 97% das amostras em áreas urbanas. Os pesquisadores identificaram ainda 4.246 espécies encontradas nas diversas cidades do mundo.

A pesquisa, que começou com Christopher Mason, professor associado de genômica computacional da Faculdade de Medicina Weill Cornell (EUA), apresenta análises e anotações abrangentes para todas as espécies microbianas identificadas, incluindo 10.928 vírus, 748 bactérias e duas arqueas (seres unicelulares semelhantes às bactérias) novas, ainda não encontrados em bancos de dados de referência.

“Cada cidade tem seu próprio “eco molecular” dos micro-organismos que a definem. Se você me desse seu sapato, poderia dizer com cerca de 90% de precisão a cidade do mundo de onde você veio”, assegura Mason.

Dias-Neto destacou outra importância do estudo: a análise da resistência bacteriana, o que permite descobrir, por exemplo, qual antibiótico ministrar, de acordo com o perfil de resistência mais encontrado em cada região do mundo.

“Podemos ver, entre outras coisas, quais genes de resistência a um antibiótico são mais presentes em um lugar ou no outro, a utilização de um antibiótico em determinado local, se ele deve ou não ser usado, quais organismos novos a gente encontra que a ciência nunca viu”, afirma.

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