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Eleições 2026 Do salário mínimo ao Bolsa Família: Lula e Flávio apresentam divergências sobre benefícios sociais e trabalho

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Ambas as campanhas, além de prometer manter a valorização do mínimo, dizem que vão assegurar a vinculação dos benefícios ao piso. (Foto: Reprodução)

A taxa de desemprego brasileira está no menor patamar desde 2012, quando começou a série histórica do IBGE, e a parcela da população em extrema pobreza nunca esteve tão baixa.

Nesse contexto, o programa Bolsa Família, que alcança 19,3 milhões de domicílios, o reajuste acima da inflação do salário mínimo e o fim da jornada 6×1, aprovada pelo Senado e já promulgada, tomaram os debates na campanha eleitoral para a Presidência.

Dúvida

Flávio Bolsonaro, candidato a presidente, tem declarado em entrevistas que vai manter o reajuste real do salário mínimo, medida que o seu pai, Jair, não adotou durante sua gestão. Apesar de não haver menção sobre isso no seu plano de governo, a campanha do candidato reiterou esse compromisso: “O salário mínimo será reajustado acima da inflação para repor as perdas ocasionadas pelo caos econômico do governo Lula”, informou.

No programa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, essa menção é explícita para manter a prática do governo atual:

“Vamos dar continuidade à política de valorização do salário mínimo como meio de distribuição de renda, combate à pobreza e desenvolvimento, assim como asseguramos aumento real todos os anos, e isso também será prioridade no nosso novo mandato”.

O piso salarial é parte importante na base dos programas sociais, por ser a referência das aposentadorias e pensões e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ambas as campanhas, além de prometer manter a valorização do mínimo, dizem que vão assegurar a vinculação dos benefícios ao piso. Para especialistas, falta aos programas alguma inovação na política social. O economista Ricardo Henriques, um dos formuladores do Bolsa Família e superintender do Instituto Unibanco, destaca essa omissão:

“Falta uma agenda específica no conteúdo e na forma de implementação para os vulneráveis. Não há inovação, mas há ausência na proposta do senador. Causa espécie o plano não fazer nenhuma menção explícita aos programas. Essa omissão é um sintoma que merece gerar alguma atenção da sociedade.”

Esta é a última reportagem de uma série sobre temas econômicos nas eleições, que já abordaram contas públicas, comércio exterior, petróleo e energia, inteligência artificial e agronegócio.

O programa do candidato do PL promete manter as iniciativas sociais existentes, apesar de não citá-las. A campanha de Flávio criou um site no qual os benefícios são mencionados, mas somente com a informação sobre a manutenção do Bolsa Família, do BPC e do Pé-de-Meia (auxílio a estudantes).

“O desafio segue muito grande. A vantagem do Brasil frente aos grandes países é que já temos instituída uma agenda social. Isso está consolidado. A questão agora é como aperfeiçoá-la. O Bolsa Família requer melhoramentos”, afirma Henriques.

O benefício foi reajustado em 15% em meados de setembro, mas especialistas alertaram para a necessidade de revisar o modelo, principalmente o fato de não ser calculado per capita.

“Obra de ficção”

O economista Gabriel Ulyssea, professor da University College London, diz que as propostas de Flávio de manutenção de programas sociais e valorização do mínimo não conversam com a promessa de fazer “um tesouraço” de R$ 200 bilhões nos gastos públicos. O salário mínimo é um dos principais indexadores das despesas do governo.

“O plano parece uma grande obra de ficção. Promete fazer um ajuste radical, reduzir impostos em várias dimensões, gastar mais em programas sociais, treinamento e financiamento de obras de transporte nos estados e nas cidades. Essa conta não fecha”, diz Ulyssea.

No âmbito do mercado de trabalho, as discussões sobre o fim da jornada 6×1 se intensificaram esta semana. Flávio, até poucos dias antes da votação no Senado, evitava declarar como votaria. Defendia a proposta contida no seu plano de governo de jornada flexível, confirmada pela campanha, citando uma declaração do candidato do PL:

“Quem quiser trabalhar no sistema que está, vai continuar, mas vai ter a possibilidade de trabalhar, com todos os direitos trabalhistas garantidos, com a jornada que for possível. Vamos dar liberdade para que as pessoas possam escolher a sua carga horária de trabalho”. (Com informações do jornal O Globo)

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