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Colunistas Dois anos depois, o dever de não repetir

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Completamos dois anos da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul. Não é uma data qualquer. (Foto: ABr)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Completamos dois anos da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul. Não é uma data qualquer. É um alerta que volta a gritar.

Dois anos desde a enchente de 2024, quando perdemos vidas e quando milhares de famílias perderam suas casas, suas lembranças e o seu sustento. Foram mais de 2 milhões de pessoas afetadas, 478 municípios atingidos, 183 vidas interrompidas. Números que chocam, mas que ainda não conseguem traduzir o desespero de quem viu a água invadir tudo em questão de horas.

Naquele momento, vimos o melhor do nosso povo. Voluntários fizeram o impossível. Era o povo pelo povo, resgatando, acolhendo, salvando. Mas isso não pode virar regra. Solidariedade não substitui planejamento. Coragem não substitui estrutura. E emoção não substitui responsabilidade.

A água baixou, mas o risco não. As cicatrizes continuam abertas nas cidades e na memória de quem viveu aquilo. E agora, com a previsão de um novo El Niño forte em 2026, o cenário exige mais do que lembrança. Exige urgência. Porque a próxima tragédia não será surpresa. Será consequência.

A diferença é que não ficamos parados. A dor virou ação. Foram aprovados projetos que começam a mudar essa realidade. O programa Defesa Civil na Escola foi aprovado pela Assembleia Legislativa para levar a cultura de prevenção para dentro das salas de aula. Sistemas de alerta sonoro contra enchentes passam a antecipar riscos. O fortalecimento das Defesas Civis e a organização do voluntariado criam uma rede mais preparada para agir antes, durante e depois.

Em Porto Alegre, seguimos na mesma direção. Apresentamos o Defesa Civil nas Escolas e o Defesa Civil Prepara, voltado à capacitação de comunidades em áreas vulneráveis. Cobramos drenagem eficiente, mais estrutura e respostas rápidas. Isso não é discurso. É prevenção concreta.

Porque aprendemos da pior forma que improviso custa caro. E custa vidas. Também ficou evidente que as mulheres carregam um peso ainda maior nessas tragédias, protegendo seus filhos e suas famílias mesmo em meio ao caos.

Este marco de dois anos da tragédia deve servir de alerta. Um alerta para encarar a realidade. Cada cidadão precisa estar atento, acompanhar alertas e cobrar ação. Porque quando o aviso é ignorado, o preço vem em forma de perda.

Às famílias que ainda choram, o nosso respeito. Ao poder público, a obrigação de agir. E a todos nós, o dever de não permitir que essa história se repita. Porque quando a água sobe, não há tempo para desculpas. Só há tempo para salvar vidas.

* Vera Armando – jornalista e vereadora de Porto Alegre

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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