Sexta-feira, 20 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Dois jeitinhos

Compartilhe esta notícia:

(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Terça-feira é Natal. O corre-corre não tem fim. A lista de presentes, visitas, cartões não tem fim. Valha-nos, Deus. Nada pode faltar. Ninguém deve ficar de fora. A coluna, atenta às apreensões dos leitores, dá duas sugestões. Uma: caia fora. Fuja do estresse. Só volte quando o último pisca-pisca estiver apagado.

A outra: entre na onda. Distribua sorrisos, dê lembrancinhas, telefone para os amigos, deseje feliz Natal aos conhecidos e desconhecidos. Sobretudo, esteja atento aos requintes da língua. Diga não aos deslizes. O menino Jesus é bonzinho. Mas, filho de Deus, perfeição é seu vício. Valem sete dicas.

Dica 1

Natal é nome próprio. Escreve-se com a inicial maiúscula. Mas os adjetivos que o acompanham não têm nada com isso. Vira-latas, grafam-se com a letrinha pequena: Desejo-lhe feliz Natal. Meus votos de alegre Natal e um 2019 pra lá de generoso.

Dica 2

Papai Noel é o bom velhinho. O nome vem do francês Père Noël. Significa Pai Natal. Generoso, o gordinho de barbas brancas e roupas vermelhas distribui presentes para todos. Ele tem um filhote. É papai-noel. Assim, com hífen e letra minúscula. Quer dizer presente de Natal: O que você quer de papai-noel? Ainda não comprei seu papai-noel. Pra completar minha lista, preciso de mais três papais-noéis.

Dica 3

Presentear e cear pertencem ao vocabulário natalino. Ambos jogam no mesmo time. Cuidado com eles. Como passear, armam ciladas no presente do indicativo e do subjuntivo. O nós, orgulhosamente, esnoba o i. As outras pessoas carregam a vogal com resignação cristã: eu passeio (presenteio, ceio), ele passeia (presenteia, ceia), nós passeamos (presenteamos, ceamos), eles passeiam (presenteiam, ceiam); que eu passeie (presenteie, ceie), ele passeie (presenteie, ceie), nós passeemos (presenteemos, ceemos), eles presenteiem (presenteiem, ceiem).

Dica 4

Cristo não foi pouca coisa. O nascimento do garotinho mudou a referência do tempo. Os acontecimentos anteriores à vinda dele receberam a marca antes de Cristo. Os posteriores, depois de Cristo. A abreviatura é assim: a.C. e d.C. Desse jeitinho — o a e o minúsculos. O c, majestoso, maiúsculo.

Dica 5

Os reis magos souberam do nascimento de Cristo. Presentearam-no com ouro, incenso e mirra. Os dois primeiros são velhos conhecidos. O último nem tanto. Vale a curiosidade. Mirra é uma planta medicinal meio vira-lata. Encontra-se aqui e ali sem dificuldade. Era usada para embalsamar cadáveres. Daí, por extensão, ganhou o significado de secar, ressequir, diminuir, reduzir-se, minguar-se: O salário mirra, o mês cresce.

Dica 6

Na época de Natal, o coração fica molinho, molinho. Creches, asilos, instituições de caridade fazem a festa. O verbo doar vira vedete. Em evidência, ele atiça a memória. Traz à tona a reforma ortográfica, que cassou o chapeuzinho do hiato oo (voo, coroo, abençoo): eu doo, ele doa, nós doamos, eles doam.

Dica 7

A invenção foi de São Chiquinho de Assis. A missa começava à meia-noite de 24 de dezembro. Durava um tempão. Só terminava na madrugada do dia seguinte. Quando os fiéis saíam da igreja, os galos estavam cantando. Daí o nome missa do galo.

Leitor pergunta

Tenho dúvida sobre a regência do verbo pedir. Pode me ajudar? — Clarice Bastos, Porto Alegre.

Quer ser atendido? Olho no jeitinho de pedir. Construa o verbo com objeto direto de coisa e indireto de pessoa: Maria pediu uma bicicleta (objeto direto) a Papai Noel (objeto indireto). A mãe pede ao filho (obj. indireto) que não abuse do bom velhinho (objeto direto).

Cuidado, pidão. Só use pedir para se estiver expressa ou subentendida a palavra licença: Pediu licença para sair. Pediu à mãe (licença) para escrever a Papai Noel.

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Agronegócio em alta
Inteligência no combate ao narcotráfico
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar