Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 5 de agosto de 2015
O dólar sobe pelo quinto dia e atingiu R$ 3,50 na máxima desta quarta-feira (5) após o governo sofrer uma nova derrota na Câmara dos Deputados. A valorização da moeda americana ocorre apesar de dados de emprego no setor privado dos Estados Unidos terem vindo piores do que o esperado.
Às 13h06min, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, subia 0,29%, para R$ 3,489. No mesmo horário, o dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, registrava valorização de 0,72%, para R$ 3,490. Na máxima, ambos atingiram o maior patamar desde 10 de março de 2003. Com a correção pela inflação, as cotações desse dia equivaleriam hoje, respectivamente, a R$ 5,45 e R$ 5,44.
A Bolsa brasileira segue o exterior e também sobe nesta quarta-feira. Às 13h07min, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, tinha valorização de 0,30%, para 50.208 pontos.
A tensão política volta a influenciar o mercado financeiro, após a Câmara decidir votar o primeiro item da chamada “pauta-bomba” do Congresso.
Trata-se da PEC 443, que equipara salários da AGU (Advocacia-Geral da União) e de delegados aos do Judiciário. A proposta cria custos extras para a União e também para Estados e municípios.
“A questão política volta a se sobrepor ao noticiário externo. O [presidente da Câmara, Eduardo] Cunha tem sinalizado que vai dificultar a vida do governo e adotou medidas como a que deixa o PT fora da CPI que ele instaurou”, afirma Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos.
Além disso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indicou que deve barrar o projeto da revisão da desoneração da folha de pagamento, sob o argumento de que haveria aumento na taxa de desemprego.
O Banco Central seguirá com suas intervenções no mercado cambial, vendendo até 6.000 contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro).
EUA
Dados de emprego no setor privado mais fracos nos EUA ajudam a conter a valorização da moeda americana. De acordo com o Relatório Nacional de Emprego da ADP, os empregadores privados no país contrataram 185 mil trabalhadores em julho, o menor aumento desde abril.
A informação reduziu as expectativas de leitura forte no relatório de emprego do governo que será divulgado na sexta-feira. O dado de julho do setor privado foi revisado para baixo, a 229 mil novos postos, ante 237 mil originalmente relatado.
“Ainda que nem todos os dados sejam positivos até setembro, isso não quer dizer que o Fed vá postergar a alta de juros”, afirma Rey, da Guide Investimentos.
Além disso, declarações de Jerome Powell, diretor do Federal Reserve (Fed, banco central americano), lançam dúvidas sobre o aumento de juros nos EUA já em setembro. Segundo ele, as autoridades do Fed ainda não decidiram se vão elevar a taxa. Ele acrescentou que dados do mercado de trabalho podem ser particularmente importantes para esta decisão.
“Nada foi decidido”, disse à CNBC sobre a reunião de 16 e 17 de setembro. “Eu não tomei nenhuma decisão sobre o que eu apoiarei, e certamente o comitê (de formulação de política) também não.”
O aumento dos juros nos EUA deixaria os títulos do Tesouro americano – cuja remuneração acompanha essa taxa e que são considerados de baixíssimo risco – mais atraentes do que aplicações em emergentes, como o Brasil, provocando uma saída de recursos dessas economias. Com a menor oferta de dólares, a cotação do dólar seria pressionada para cima.
BOLSA
Dados positivos da China trazem alívio aos mercados nesta quarta-feira. A atividade no setor de serviços no país cresceu em julho no maior ritmo em 11 meses, mostrou nesta quarta-feira a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit, compensando parcialmente a pressão sobre a segunda maior economia do mundo advinda da fraqueza do setor manufatureiro.
O PMI subiu para 53,8, contra leitura de 51,8 em junho, atingindo o maior nível desde agosto de 2014 e marcando o 12º mês consecutivo de expansão. Números acima de 50 pontos indicam crescimento mensal e valores abaixo, contração.
O dado impulsiona as ações da Vale, que sobem também ajudados pela alta dos preços do minério de ferro. Às 13h06min, as ações preferenciais da mineradora subiam 2,76%, para R$ 15,22. No horário, os papéis ordinários subiam 3,25%, para R$ 18,69.
Empresas siderúrgicas também se beneficiam da melhora na China. Às 13h05min, os papéis da Gerdau subiam 4,30%, enquanto as ações da CSN avançavam 1,37%. Os papéis preferenciais da Usiminas subiam 4,55%, e os ordinários se valorizavam 3,16% no horário.
As ações da Petrobras, que abriram em alta, passaram a cair nesta sessão. Às 13h05min, os papéis mais negociados da petrolífera tinham queda de 0,58%, para R$ 10,12. No horário, as ações ordinárias perdiam 0,45%, para R$ 11,06. (Folhapress)
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