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Brasil Dólar cai e fecha a 3,76 reais após nova fase da operação Lava Jato

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Dólar fechou em baixa nesta sexta-feira. (Foto: Reprodução)

O dólar fechou em baixa nesta sexta-feira (4), após a Polícia Federal lançar nova fase da operação Lava Jato que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na véspera, a moeda americana recuou com força, renovando a menor cotação do ano.

A moeda caiu 1,09%, e fechou a 3,7607 reais. Na semana, a queda foi de 5,93% – maior recuo semanal desde outubro de 2008. No mês e no ano, há desvalorização acumulada de 6,06% e 4,74%, respectivamente. (

O principal índice da Bovespa também avançava forte, caminhando para o maior ganho semanal desde 2008, com investidores reagindo à nova fase da Lava Jato. Pela manhã, o Ibovespa, principal indicador da bolsa, chegou a subir quase 7%, no pico do dia.

Cenário político
A operação Lava Jato lançou nesta manhã nova fase da investigação tendo como alvo Lula, contra o qual foram expedidos mandados de condução coercitiva e busca e apreensões, para apurar possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do esquema envolvendo a Petrobras.

Notícias que aumentam a pressão sobre Dilma, alvo de processo de impeachment, vêm sendo bem recebidos pelo mercado, que entende que uma troca no governo pode trazer de volta a confiança e abrir espaço para mudanças na política econômica, segundo a Reuters.

“O mercado acredita que todo mundo vai cair e que um possível novo governo dê um gás na economia do país”, disse o professor de finanças e economista da NeoValue Investimentos, Alexandre Cabral.

“Nós estávamos passando por momentos de incerteza e com a inexistência de uma perspectiva de uma melhora da economia brasileira, principalmente pela própria inanição do governo. Então com essas resultantes da Lava Jato, começa a surgir um alento e no mercado ressurge uma perspectiva de que o Brasil pode melhorar”, disse Otto Nogami, professor de economia do Insper.

Segundo ele, o mercado é altamente especulativo e pontual, então quando as coisas acontecem elas já repercutem rapidamente. “Essa operação de hoje não estava precificada pelo mercado como estava o rebaixamento do grau de investimento do Brasil pela Moody’s na semana passada”, explica.

Ainda assim, alguns analistas ponderam que as turbulências políticas podem dificultar ainda mais a governabilidade no presente. Além disso, não é certo que a saída da presidente resultaria em um governo mais apto a promover as reformas econômicas dolorosas que muitos acreditam ser a chave para a recuperação brasileira, acrescentou a Reuters.

“O mercado está apostando em uma retomada da confiança que pode não se concretizar. Há uma certa euforia e acho que algumas pessoas estão indo no embalo, mas tem muita água para rolar ainda”, disse à agência o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato.

EUA
Também contribuíram para o recuo da moeda norte-americana nesta sessão dados mostrando que a economia dos Estados Unidos criou mais vagas que o esperado em fevereiro.

O efeito foi limitado, porém, porque os números também podem abrir caminho para aumentos de juros nos EUA, algo que prejudicaria mercados emergentes.

Ação do BC limitou perdas
O Banco Central vem mantendo seu programa diário de interferência no câmbio rolando integralmente todos os swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares, nos últimos sete vencimentos. Antes disso, vinha calibrando suas ofertas de modo a se ajustar às condições do mercado, alternando rolagens parciais e integrais.

Neste mês, o BC vinha indicando que rolaria integralmente os swaps que vencem em abril, que correspondem a US$ 10,092 bilhões, vendendo sempre a oferta integral diária de até 9,6 mil contratos. Nesta sexta, porém, o BC vendeu apenas 8 mil swaps, golpeando instantaneamente as cotações.

“Parece que o BC quer segurar um pouco a queda do dólar, está muito intensa”, disse à Reuters o gerente de câmbio da corretora BGC, Francisco Carvalho. (AG)

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