Sábado, 21 de março de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2026
O dólar disparou 1,81% nesta sexta-feira (20) e encerrou a semana cotado a R$ 5,311, com desdobramentos da guerra no Oriente Médio novamente no foco dos investidores.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está mobilizando um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para a região, apesar de ter negado a intenção de enviar soldados para uma ação terrestre. A ideia seria tomar a ilha de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o estreito de Hormuz, importante via de transporte do petróleo global.
A possibilidade aumentou a aversão ao risco entre os investidores, que temem uma escalada ainda maior do conflito. Bolsas ao redor do mundo amargaram perdas acentuadas nesta sessão, com os índices de Wall Street e da União Europeia somando quedas de mais de 1%.
No Brasil, o tombo foi de 2,24%, com o Ibovespa marcando 176.219 pontos no fechamento.
A possível investida terrestre de Trump no Irã já mobiliza tropas dos Estados Unidos. Uma flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na quinta-feira.
No mesmo dia, Trump descartou “botas no solo” —na mesma fala, contudo, disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.
O presidente dos EUA, na semana passada, já havia deslocado do Japão outro grupo similar, que já se aproxima da região. Com isso, haverá 5.000 soldados treinados para operações terrestres, o que é insuficiente para uma invasão com fins de derrubar o regime teocrático do Irã. Em 2003, a invasão ao Iraque envolveu 20 navios do tipo.
Segundo quatro pessoas ouvidas pelo portal Axios, Trump está cogitando ocupar ou bloquear ilha de Kharg para reabrir o estreito de Hormuz, gargalo marítimo no centro da grande crise energética que a guerra trouxe ao mundo.
Via de escoamento de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, Hormuz é o quintal estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas.
A tomada da ilha soa bastante arriscada para analistas militares. O Irã, mesmo enfraquecido pelas semanas de bombardeios, retém uma capacidade de lançamento de mísseis e drones considerável.
Trump ainda subiu o tom contra a Otan, chamando a aliança militar criada por Washington em 1949 de tigre de papel sem os americanos.
“Eles não quiseram se juntar à luta para impedir um Irã nuclear. Agora que a luta está VENCIDA militarmente, com muito pouco perigo para eles, eles reclamam do preço alto do petróleo que têm de pagar, mas não querem ajudar a abrir o estreito de Hormuz”, disse. “COVARDES, e nós vamos NOS LEMBRAR.”
Às vésperas do final de semana, investidores montaram posições defensivas diante das incertezas sobre as próximas ofensivas da guerra. A preferência tem sido pelo dólar, considerado uma espécie de porto seguro para investimentos: como é a moeda de reserva global, garante liquidez e segurança aos operadores.
O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, avançou 0,39%, a 99,59 pontos.
“Antes do fim de semana, os operadores costumam adotar uma posição mais defensiva. Eles não gostam de ficar com posições em aberto”, diz o estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno.
A instabilidade global refletiu ainda nos juros futuros, que fecharam em forte alta seguindo o avanço das treasuries, títulos ligados ao Tesouro dos EUA.
A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou em 14,145%, com alta de 56 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,08%, com elevação de 27 pontos-base ante 13,819%.
O rendimento da treasury de dois anos —que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo— tinha alta de 10 pontos-base, a 3,9%. Já o retorno do título de dez anos —referência global para decisões de investimento— subia 10 pontos-base, a 4,388%.
Parte do movimento no mercado de juros teve como pano de fundo as decisões de juros desta semana. Bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, reconheceram que a guerra embaralhou os próximos passos para a política monetária.
No Brasil, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, agora em 14,75% ao ano, veio acompanhado de uma comunicação cautelosa, com o Copom (Comitê de Política Monetária) falando em “calibração” de juros em vez de flexibilização.
O termo, para analistas do mercado, indica que a taxa de juros poderá ser cortada mais algumas vezes ao longo do ano, mas seguirá em patamar restritivo. Com informações da Folha de São Paulo.
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