Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de outubro de 2026
A ausência de sinalizações mais detalhadas sobre as medidas fiscais que poderão ser adotadas pelo próximo governo também contribuiu para a cautela..
Foto: ABrO dólar fechou em alta nesta quinta-feira (22), cotado a R$ 5,038, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,15%, aos 204.120 pontos. O mercado financeiro foi influenciado pela cautela dos investidores diante da disputa presidencial, marcada para domingo (25), e pelo aumento das tensões internacionais, que pressionaram os mercados de ações no exterior.
A moeda norte-americana avançou 0,22% em relação ao real, refletindo a procura por ativos considerados mais seguros em um ambiente de incerteza. A proximidade do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) manteve os investidores atentos às pesquisas eleitorais e às possíveis consequências do resultado para a condução da política econômica.
A ausência de sinalizações mais detalhadas sobre as medidas fiscais que poderão ser adotadas pelo próximo governo também contribuiu para a cautela. O comportamento dos gastos públicos, a trajetória da dívida e a capacidade de equilibrar as contas do país estão entre os fatores acompanhados pelos agentes financeiros.
Segundo o especialista em investimentos Josias Bento, sócio da GT Capital, a combinação entre as incertezas eleitorais e o cenário internacional aumentou a aversão ao risco. A expectativa por novas pesquisas de intenção de voto também influenciou o posicionamento dos investidores antes da votação de domingo.
Tensões externas
No cenário internacional, as preocupações com o agravamento das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo reforçaram a cautela. Os investidores acompanharam os desdobramentos envolvendo Estados Unidos e Irã, além dos riscos para o abastecimento global de energia.
A valorização do petróleo pode elevar as pressões inflacionárias e dificultar a redução dos juros em diferentes economias. Esse cenário afeta as expectativas sobre as decisões dos bancos centrais e influencia os fluxos de capital entre mercados desenvolvidos e emergentes, como o brasileiro.
As bolsas norte-americanas também registraram perdas, em um movimento influenciado pela pressão sobre empresas de tecnologia e pelas preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial. Os resultados corporativos divulgados durante a temporada de balanços ampliaram as oscilações dos ativos.
O petróleo registrou forte valorização, com o barril do Brent para dezembro encerrando o dia com alta de 4%, a US$ 113,17. A escalada das tensões no Oriente Médio aumentou as preocupações com possíveis interrupções no abastecimento, com reflexos sobre os preços da energia e as perspectivas para a inflação mundial.
Mineradoras e bancos recuam
Na Bolsa brasileira, as ações da Vale caíram 3,97%, pressionadas pelo desempenho negativo do setor de mineração. Entre as siderúrgicas, a CSN recuou 5,43%, enquanto a Usiminas perdeu 4,81% e a Gerdau registrou baixa de 3,92%. A Embraer também esteve entre as principais quedas, com desvalorização de 4,66%.
Os grandes bancos acompanharam o movimento negativo. As ações do Itaú Unibanco caíram 1,84%, as do Bradesco recuaram 2,08% e as do Banco do Brasil perderam 0,75%. A queda de empresas com peso relevante no Ibovespa contribuiu para o resultado negativo do índice.
Na contramão, algumas companhias conseguiram encerrar o pregão em alta. A BB Seguridade avançou 2,05%, enquanto a petroleira PRIO subiu 1,85% e a Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, ganhou 1,65%. A Petrobras também terminou no campo positivo, com valorização de 0,14% nas ações preferenciais, apesar da volatilidade durante a sessão.
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