Domingo, 05 de abril de 2026
Por Renato Zimmermann | 5 de abril de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Escrevo hoje, no Domingo de Páscoa, com o coração cheio de esperança. Ontem, no Sábado de Aleluia, falávamos do silêncio, da espera, da sensação de vazio que antecede a ressurreição. Hoje, porém, é diferente. Hoje é dia de alegria, de celebração, de proclamar que Cristo venceu a morte e que o amor é mais forte do que qualquer dor. A Páscoa é o ápice da fé cristã, o momento em que a escuridão da cruz se transforma em luz, em canto, em vida nova.
Ser cristão, para mim, é mais do que seguir uma tradição ou pertencer a uma igreja. É verdade que no Brasil a Igreja Católica reúne a maioria dos fiéis e conduz celebrações grandiosas neste dia, com missas lotadas, cânticos e ritos que emocionam. Mas ser cristão é sentir o toque de Jesus Cristo no coração, é deixar-se transformar pelo coração imaculado do homem santo que se entregou por amor. É viver a fé como experiência pessoal, como encontro íntimo com o divino, que nos impulsiona a sermos melhores, mais humanos, mais solidários.
Vivemos tempos em que a artificialidade parece dominar. O dinheiro dita regras, a produtividade se tornou quase um fim em si mesma, e muitas vezes esquecemos que a vida tem um sentido maior. Ontem, no silêncio do sábado, muitos aproveitaram para descansar ou organizar a rotina. Hoje, no Domingo de Páscoa, somos convidados a ir além dessa lógica repetitiva de trabalho e pausa. A ressurreição nos lembra que a vida não é apenas um ciclo mecânico, mas uma oportunidade constante de recomeço, de renovação, de esperança.
Como desenvolvedor de negócios sustentáveis, vejo na Páscoa uma inspiração para o meu trabalho. Sustentabilidade é, em essência, acreditar que a vida pode vencer a morte, que o cuidado pode superar a destruição, que o futuro pode ser diferente se agirmos com responsabilidade. A ressurreição de Cristo é o símbolo máximo de que nada está perdido, de que sempre há uma chance de reconstruir. Essa mensagem é poderosa quando pensamos no planeta, na sociedade, na economia.
A Páscoa é também um convite à comunidade. As igrejas se enchem de fiéis, mas o chamado vai além das paredes dos templos. É um chamado para que cada um de nós viva a fé no cotidiano, nos pequenos gestos, na forma como tratamos o próximo e como cuidamos da criação. Ser cristão é mais do que participar de uma missa; é carregar no coração a certeza de que o amor é a força que transforma o mundo.
Hoje, ao celebrar a ressurreição, penso no maior presente que todos nós recebemos: o planeta. A Terra é o espaço sagrado onde experimentamos a vida, onde sentimos o amor, onde construímos nossa história. Preservá-la é um ato de fé, é reconhecer que a criação é dom divino e que temos a responsabilidade de cuidar dela. Assim como Cristo venceu a morte, precisamos vencer a indiferença e o descuido, para que a vida floresça em todas as suas formas.
Que este Domingo de Páscoa nos inspire a viver com esperança, a acreditar que o amor pode transformar, e a assumir o compromisso de preservar o planeta, o presente maior que todos os humanos receberam. Porque sem ele, não há vida, não há futuro, não há ressurreição. Hoje celebramos a vitória da vida sobre a morte, e que essa vitória nos guie em cada passo, em cada escolha, em cada gesto de cuidado com o mundo que nos foi confiado.
Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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