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Geral Donald Trump abandona o livre mercado e adota o estatismo chinês misturado com o populismo latino-americano

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O capitalismo de Estado de Trump ameaça o modelo de prosperidade e democracia nos EUA. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se vende como paladino do conservadorismo americano, mas dilapida o legado literalmente mais valioso dessa tradição: a defesa do livre mercado. Aumentar impostos por meio de tarifas generalizadas, intervir em companhias privadas, flertar com estatizações ou pressionar o banco central são iniciativas mais familiares ao repertório de demagogos latino-americanos conhecidos por arruinar suas economias à força de decretos. A Casa Branca está sendo transformada numa espécie de fundo de investimento estatal comandado pelo humor do presidente. Sua barganha com a Intel – ora exigindo a saída do CEO, ora oferecendo aportes bilionários em troca de participação acionária – lembra menos as convicções capitalistas de Ronald Reagan e mais a prática surrada de Brasília de eleger “campeões nacionais” à custa do contribuinte.

À luz das evidências históricas, as políticas comerciais e industriais de Trump só podem ser descritas como uma espécie de masoquismo econômico. A crença de que tarifas protegem empregos foi desmoralizada repetidas vezes. Elas encarecem insumos, corroem margens de lucro e destroem mais postos de trabalho do que geram. A ilusão de que o governo pode cultivar indústrias “estratégicas” com subsídios e participação acionária já produziu fiascos memoráveis, de fábricas fantasmas a empresas zumbis sustentadas apenas por favores políticos. No Brasil, esse é um filme antigo e monótono: décadas de protecionismo criaram indústrias complacentes, incapazes de competir fora de seus muros tarifários, mas habilíssimas em cultivar clientelas em Brasília. O resultado foi atraso tecnológico e um fardo inflacionário para o consumidor. Ao abraçar a cartilha dirigista, Trump sufoca o dinamismo do mercado e alimenta o que jurava combater: o pântano de privilégios.

O mito de que o “modelo chinês” é um atalho para a prosperidade só agrava o equívoco. O “milagre” que retirou centenas de milhões da pobreza nasceu não do controle estatal de Pequim, mas sim, ao contrário, das reformas liberalizantes iniciadas por Deng Xiaoping, que desobstruíram a energia empreendedora do povo, permitindo que o capital e as ideias circulassem. A China cresceu apesar do estatismo centralizador, não por causa dele, e o voluntarismo intervencionista de Xi Jinping, com a repressão a empresas e a onipresença do Partido Comunista, ameaça destruir esse legado. Emular essas amarras é como invejar o prisioneiro pelo tamanho da cela.

Nada mais revelador que o endosso do esquerdista radical Bernie Sanders aos intervencionismos de Trump: ambos sonham com uma Intel transformada em repartição pública dos semicondutores, sustentada por subsídios e dirigida ao sabor de agendas políticas. O socialismo de Sanders e o nacionalismo de Trump compartilham da mesma fantasia: a de que políticos e burocratas podem pilotar o setor produtivo melhor que milhões de agentes livres. Os extremos se unem na caricatura do capitalismo de Estado.

A diferença é que Trump não dispõe nem dos instrumentos nem da disciplina de Xi. Não pode instalar células partidárias nas empresas nem impor alinhamento ideológico a seus executivos. Seu método é mais errático: uma mistura de bravata pública e chantagem privada, tarifas anunciadas de manhã e suspensas à tarde, favores concedidos a quem se curva e ameaças a quem resiste. A boa notícia é que seu poder para subjugar o setor privado não é absoluto nem irrevogável. A má é que sua imprevisibilidade já mina a confiança em ativos americanos, encarece investimentos e enfraquece a competitividade da indústria.

O verdadeiro caminho para enfrentar a competição global não é copiar os vícios da China nem reciclar as mazelas do Brasil, mas reafirmar o que sempre fez dos EUA um país próspero: livre comércio, descentralização, competição e Estado de Direito. O capitalismo de Estado de Trump não é alternativa ao socialismo; é sua versão caricata, tingida de vermelho, branco e azul. Ao insistir em tarifas, subsídios e intervenções, Trump inaugura não um “Dia da Libertação”, mas uma noite longa, fria e tenebrosa, e coloca sua “América” não no rumo da grandeza, mas, como já alertava Hayek, no caminho da servidão. (Opinião/Jornal O Estado de S. Paulo)

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Luiz Antônio Alves
30 de agosto de 2025 13:34

como dizia o Guzzo, estamos vendo a falência da mídia tradicional… qual o governo das américas que não é populista? O Lula dá de dez a zero no Trump neste ítem.

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