Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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CAD1 Donald Trump cancela visita após Dinamarca rechaçar venda da Groenlândia

(Foto: Reprodução/Twitter)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o governo da Dinamarca ao cancelar nesta terça-feira (20) uma visita de Estado ao país, após a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, qualificar de “absurda” a intenção expressa pelo estadunidense de comprar a Groenlândia.

A proposta de Trump foi inicialmente recebida com uma mistura de incredulidade e escárnio pelos políticos dinamarqueses, com o ex-primeiro ministro Lars Lokke Rasmussen chegando a afirmar que a situação “deve ser alguma piada de 1º de abril”. Outros ficaram ofendidos com as intenções do americano. Mas o cancelamento da visita, marcada para os dias 2 e 3 de setembro, pegou muitos de surpresa. “A Dinamarca é um país muito especial, com pessoas incríveis, mas com base nos comentários da primeira-ministra Mette Frederiksen, de que ela não teria interesse em discutir a venda da Groenlândia, eu decidi adiar nosso encontro, marcado para daqui a duas semanas, para outra data”, disse Trump em sua conta do Twitter. “Ao ser tão direta, a primeira-ministra conseguiu economizar enormes gastos e esforços, tanto para os Estados Unidos quanto para a Dinamarca”, afirmou. “Lhe agradeço por isso e anseio por remarcar [a visita oficial] para alguma data no futuro”, completou o presidente estadunidense.

Líderes políticos do país reagiram com perplexidade. Martin Lindegaard, ex-ministro dinamarquês do Exterior, disse que o comportamento do americano é “grotesco”, e chamou o episódio de uma “farsa diplomática”. A ex-primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt disse que, com o cancelamento, Trump “insulta profundamente o povo da Groenlândia e da Dinamarca”. Kristian Jensen, também ex-ministro do Exterior, disse se tratar de um “caos total”, e que a situação se transformou “de uma grande oportunidade para reforçar o diálogo entre aliados em uma crise diplomática”. “Todos devem saber que a Groenlândia não está á venda”, ressaltou.

Na segunda-feira (19), Frederiksen reagiu de forma categórica às declarações de Trump sobre a compra do território autônomo. “A Groenlândia não está à venda. A Groenlândia não é dinamarquesa, é groenlandesa. Espero, de verdade, que não tenha sido algo dito com seriedade”, disse Frederiksen, durante visita à Groenlândia. “É uma discussão absurda e Kim Kielsen (premiê groenlandês) deixou claro que não está à venda. E aí termina a discussão”, afirmou Frederiksen.

Em julho, Trump e a primeira-dama americana, Melania, haviam sido formalmente convidados a visitar o país pela rainha Margrethe. Uma porta-voz disse que a família real recebeu com surpresa o cancelamento, mas, muitos no país veem a atitude do americano como uma ofensa à rainha.

Os americanos mantêm interesse estratégico na região dinamarquesa desde a Segunda Guerra Mundial, quando os montaram várias instalações militares na ilha. Um tratado de defesa, de 1951, entre a Dinamarca e os EUA, permite aos americanos manterem no norte da ilha a Base Aérea de Thule, onde os militares operam um sofisticado sistema de detecção de disparos de mísseis contra o território americano.

Os Estados Unidos já tentaram comprar a Groenlândia no passado. A última vez foi em 1946, quando Harry Truman era presidente. Desde 1979, a Groenlândia possui um estatuto de autonomia, ampliado 30 anos depois – com o apoio em massa em referendo consultivo dos groenlandeses – até incluir todas as competências, salvo defesa, política externa e monetária, entre outras; além do direito de autodeterminação.

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