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Mundo Os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia farão a primeira reunião nas próximas semanas

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Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. . (Foto: Reprodução)

Os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin irão se encontrar nas próximas semanas, numa reunião de cúpula talhada para gerar desconfiança nos aliados ocidentais do mercurial líder americano. O anúncio foi feito por Iuri Ushakov, um assessor de Putin, em entrevista no Kremlin nessa quarta. Ele ocorreu depois do encontro do presidente russo com o assessor de Segurança Nacional de Trump, John Bolton.

Depois de sua eleição, Trump encontrou-se duas vezes, a primeira delas à margem de uma reunião do G20 no ano passado e, nas palavras de Putin, se falam regularmente ao telefone.

Mas uma cúpula, com direito à famosa foto com as bandeiras nacionais enquadrando os líderes, traz um novo simbolismo num momento delicado para Trump – tanto nos EUA quanto no exterior. A Rússia, de certa forma, persegue o presidente desde que ele e Putin trocaram elogios na campanha de Trump em 2016.

Quando a CIA acusou hackers russos de influenciar o rumo do pleito, de forma até hoje não muito clara a não ser o vazamento de emails da equipe da democrata Hillary Clinton, a simpatia passou a ser vista como conluio.

Assim, o presidente americano alternou seus gestos em direção ao Kremlin. Apoiou a acusação britânica de que a Rússia mandou envenenar um ex-espião seu em solo britânico, o que levou à maior expulsão mútua de diplomatas entre Moscou e o Ocidente em décadas. Por outro lado, na reunião do clube das nações ricas no Canadá, no mês passado, Trump defendeu a reinclusão da Rússia na agremiação.

Na mesma reunião, discordou do texto final e deixou o encontro mais cedo, sem assiná-lo. Foi diretamente para Singapura encontrar-se com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, deixando especulações sobre com quem ele se sentia mais à vontade.

 

Ao encontrar-se com Putin provavelmente após a reunião de chefes de Estado e de governo da Otan, dias 11 e 12 em Bruxelas, Trump dá uma sinalização ainda mais complexa. Ele sempre desprezou a aliança militar, criada pelos EUA e seus aliados europeus na Guerra Fria para fazer frente ao poderio militar da União Soviética e seus satélites comunistas.

Defende que os sócios europeus do clube paguem mais, cumprindo a meta de gastar 2% do PIB com defesa –comprando equipamento americano, de preferência. Já para Putin, o encontro é uma vitória diplomática. Acossado pelas acusações ocidentais, ele viu a abertura da Copa do Mundo em seu país atrair apenas 15 líderes mundiais sem expressão.

Internamente, ao contrário, seu poder está no zênite: foi reeleito com 77% dos votos em março e dará as cartas provavelmente depois do fim de seu mandato em 2024.

Um banho de diplomacia de nível mundial, mesmo que com um líder contestado como Trump, é um bônus e tanto. Reforçará o ponto de venda do Kremlin, de que a Rússia é novamente uma potência –nuclear, nunca deixou de ser, dividindo o status de liderança com os EUA mo campo.

No encontro com Bolton, Putin referiu-se sem precisar dar nomes ao ataque que Trump sofre dos democratas. “Infelizmente, as relações russo-americanas não estão no seu melhor estado agora devido a amargas disputas políticas internas nos EUA”, afirmou. Trump não falaria melhor em sua defesa, e mesmo a cúpula tende a ser uma tentativa de se mostrar altivo no tiroteio de críticas. O encontro, segundo o Kremlin, ocorrerá em campo neutro. A Áustria e a Finlândia já se dispuseram a sediá-lo.

A imprensa austríaca chegou a especular o dia 15 de julho, mas essa é a data da final da Copa, à qual Putin deverá assistir. Assim, os dias 13 e 14 ganham força no calendário.

Não é esperado que algo de muito concreto saia de uma reunião dessas. A relação deteriorada entre EUA e Rússia passa pelas sanções que Washington e outros países impuseram a empresas e empresários ligados a Putin após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. E nisso só se mexe com autorização do Congresso americano, algo bem improvável.

O território de maioria russa foi cedido à Ucrânia quando ambos os países eram parte da União Soviética. Como estrategicamente precisa da Ucrânia aliada ou neutra, para evitar a proximidade da Otan de suas fronteiras, a Rússia reabsorveu a península quando o governo pró-Moscou de Kiev foi derrubado.

No cardápio de temas, além da Ucrânia, há a complexa situação da guerra civil na Síria, o Irã e seu programa nuclear, as políticas revistas de emprego de armas atômicas, as forças da Otan no Leste Europeu, a guerra comercial de Trump com a China, entre outros.

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