Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2026
A advogada e influenciadora digital Gabriela Prioli publicou vídeos em defesa do Banco Master sob um contrato de 12 meses, segundo mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição. Os diálogos indicam que os conteúdos eram submetidos à avaliação de Vorcaro e de sua equipe de comunicação, que sugeria alterações nos roteiros.
As conversas revelam os bastidores de uma estratégia de comunicação financiada pelo banco, que era investigado por suspeitas de fraudes bilionárias. Ana Matos, superintendente de Comunicação e Marketing do Master entre 2023 e o fim de 2025, afirmou que Prioli integrava um grupo de aproximadamente 15 influenciadores de diferentes posições políticas, contratados para defender os negócios da instituição e rebater críticas da imprensa.
Em nota, Prioli negou ter sido contratada pelo Master ou por empresas ligadas a Vorcaro. Também afirmou que nunca se reuniu, conversou ou recebeu orientações do banqueiro ou de representantes do banco. A influenciadora questionou a existência de provas do suposto contrato e dos pagamentos e declarou que seu faturamento está documentado por notas fiscais. Nessa sexta-feira (16), publicou um vídeo no Instagram reiterando as negativas e afirmou que medidas cabíveis estão sendo tomadas. Ana Matos foi procurada, mas não respondeu.
As mensagens mostram que Vorcaro elogiou a contratação em abril de 2025. No dia 4 daquele mês, escreveu a Ana Matos: “Prioli ótima tacada”. No dia seguinte, sugeriu que um roteiro mencionasse seu nome e os ataques que, segundo ele, o banco sofria. A funcionária respondeu que estava finalizando o texto com a influenciadora e confirmou: “O contrato está assinado por 12 meses”.
O primeiro vídeo abordava as críticas ao Master após a divulgação das negociações para o Banco de Brasília (BRB) comprar a instituição, em março de 2025. Prioli questionava a percepção negativa sobre bancos médios que oferecem rendimentos maiores em investimentos de renda fixa. Na ocasião, afirmou acompanhar o assunto como interessada, e não como especialista. A publicação foi posteriormente apagada.
Em abril, Vorcaro também sugeriu um vídeo sobre os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master. Em um conteúdo que voltou a circular, Prioli afirmou que o investimento era mais seguro por contar com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), observados os limites e as condições de cobertura.
As conversas registram outras intervenções. Em maio, Vorcaro orientou que um texto criticasse jornalistas, e não o banco BTG Pactual. Em julho, Ana Matos enviou ao banqueiro um vídeo gravado por Prioli antes da publicação. Vorcaro pediu alterações, e a funcionária informou, dois dias depois, que a influenciadora havia incorporado as sugestões e que não havia margem para novas mudanças.
A publicação acabou sendo adiada porque, segundo Vorcaro, as sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky dominavam o noticiário naquele momento. No dia seguinte, Ana Matos compartilhou links de outros conteúdos temporários de Prioli.
Em janeiro de 2026, a influenciadora já havia negado ter sido contratada para defender o Master ou integrar a rede de influenciadores que, segundo as mensagens, atuava contra críticas ao banco e contra o Banco Central, que analisava a operação de compra pelo BRB. As negativas contrastam com os diálogos atribuídos a Vorcaro e à sua equipe, que descrevem a elaboração e a revisão de conteúdos relacionados à instituição financeira. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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