Sábado, 21 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de fevereiro de 2026
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comunicou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que o executivo não irá prestar depoimento ao colegiado, conforme estava previsto para esta segunda-feira (23). A decisão foi tomada após o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ter desobrigado Vorcaro de comparecer à comissão.
Segundo os advogados, o ministro não autorizou que o banqueiro se deslocasse até Brasília em avião particular. De acordo com a justificativa apresentada, esse teria sido um pedido da defesa para evitar eventual constrangimento em voo comercial ou a exposição de imagens do desembarque do executivo em aeronave da Polícia Federal (PF). Com a negativa quanto às condições de deslocamento, a defesa optou por comunicar a ausência.
O depoimento de Vorcaro era considerado um dos mais aguardados pela CPMI. Integrantes do colegiado haviam negociado com os advogados o adiamento da oitiva para depois do carnaval, com o objetivo de garantir a presença do executivo. A comissão foi instalada para apurar descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), supostamente em favor de associações e entidades sindicais.
No âmbito das investigações, parlamentares buscam esclarecer eventual envolvimento de Vorcaro e do Banco Master nas irregularidades investigadas. Documentos enviados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) à CPI apontam que o banco figura entre as instituições com maior número de reclamações registradas nos últimos anos, especialmente em questões relacionadas a crédito consignado.
Vorcaro chegou a ser preso na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades financeiras supostamente praticadas pelo Banco Master. A prisão preventiva foi posteriormente revogada por decisão judicial. Ainda assim, o executivo permanece submetido a medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e restrições determinadas no curso das apurações.
Para a sessão desta segunda, a CPMI havia organizado um esquema especial de segurança, com controle de acesso à sala onde ocorreria o depoimento, a fim de evitar tumultos ou manifestações. Como Vorcaro foi desobrigado de comparecer por decisão do STF, a comissão não pode determinar condução coercitiva, instrumento previsto apenas em situações específicas e mediante requisitos legais.
Há ainda previsão de participação de Daniel Vorcaro em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, marcada para terça (24). Até o momento, contudo, o executivo não confirmou presença. Parlamentares aguardam posicionamento oficial sobre eventual comparecimento. (Com informações do jornal O Globo)
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