Sábado, 21 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de fevereiro de 2026
A dor no peito durante a atividade física pode ser um indício de que algo não vai bem com o coração. Há outros indicativos como palpitações, dor na região do estômago — que parece problema gástrico, mas é relacionada ao coração —, dores nas costas, na região submandibular e no braço esquerdo que podem demonstrar que algo não vai bem com o músculo.
O médico Jorge Zarur, diretor da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), explica que essas dores são sinais de angina, quando o músculo cardíaco não recebe sangue oxigenado suficiente, geralmente devido a uma obstrução nas artérias coronárias, o que não pode ser negligenciado. Se não tratada, a angina pode evoluir para infarto, insuficiência cardíaca ou arritmia grave.
“Se aparecer um deles (os sinais), já é um alerta para investigação da parte cardíaca”, afirma o médico. Sedentários que começam a se exercitar devem ficar atentos.
Outra evidência frequente até em quem já pratica esporte é o cansaço progressivo. “A pessoa não sente nada de dor, de palpitação, mas um cansaço diferente do que vinha sentindo. Isso é um grande sinal de alerta para avaliar o coração.” Cansar de forma extenuante traz outros riscos associados.
Preste atenção também se sentir tontura, falta de ar ou chegar a desmaiar. A orientação para quem apresentar alguma das manifestações acima é interromper o exercício e procurar um médico.
Se é um desconforto agudo, que não melhora, vá ao pronto-socorro de imediato. Se cessa quando para o esforço, não volte a fazer atividade física até uma avaliação especializada com o cardiologista.
“Quando pensamos em atividade física, existe uma curva entre o ideal e o nada e entre o ideal e o passou do ponto. Por exemplo, eu corro. Se você correr cinco a dez quilômetros, está no ponto saudável. Se você pensar num maratonista, ele passa do ponto saudável. Sempre vou recomendar que antes de iniciar uma atividade física — qualquer uma — seja feita avaliação cardiológica”, afirma Jorge Zarur.
“Isso é o ideal, mas nem sempre o possível. Vamos pensar em quem não tem um plano de saúde e espera uma avaliação do SUS para saber se pode fazer esporte. Eu vou ter muito mais gente sedentária do que hoje, que é tão ruim quanto.”
Segundo o diretor da Socesp, o primeiro exame é uma anamnese aprofundada e direcionada com o cardiologista, avaliação da pressão e eletrocardiograma. Se necessário, o médico deverá solicitar outros exames antes de liberar o paciente para os exercícios.
Pessoas acima do peso devem praticar exercícios, mas é importante lembrar de que existe um risco cardíaco aumentado devido ao depósito de gordura abdominal, o que representa outras ameaças como resistência insulínica, hipertensão, diabetes e colesterol alto.
“Às vezes, o sobrepeso representa um conjunto de fatores de risco intrínseco que ele já tem, não só por carregar uma carga a mais numa corrida, por exemplo. Essa pessoa precisa ser bem avaliada”, orienta Zarur.
“E não basta só ir à academia. Precisa do conjunto da obra para ter desempenho e saúde. O principal remédio para o coração se apoia na atividade física, boa alimentação, no sono adequado e controle do estresse. Isso a gente não coloca na receita do paciente, só a medicação”.
As diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam, para adultos e idosos, pelo menos de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Esses grupos também devem realizar fortalecimento muscular em, pelo menos, dois dias na semana.
Alguns cuidados
– Não inicie o exercício de forma intensa, faça progressivamente;
– Faça um aquecimento leve para preparar o coração e os músculos;
– O coração deve voltar ao ritmo normal gradualmente;
– Hidrate-se antes, durante e após o exercício;
– Não exagere na dose diária e deixe o corpo descansar.
As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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