Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 18 de março de 2016
Poucas décadas atrás, um professor da Universidade de Alberta, no Canadá, estava tentando desenvolver um analgésico que acabasse com todos os tipos de dor, até as mais agudas, em apenas um comprimido. Em 1981, este professor, Ed Knaus, conseguiu seu objetivo: sintetizou um opiáceo que batizou de W-18. Knaus tinha conseguido criar uma substância analgésica apontada como sendo 10 mil vezes mais potente que a morfina. No entanto, o invento não obteve o sucesso que ele esperava. “Nossa intenção era criar um analgésico milagroso mas, depois dos primeiros testes, o descartamos porque percebemos que ele tinha potencial de se tornar viciante”, afirmou Knaus.
Durante anos, a droga, que nunca tinha sido testada em humanos de forma documentada, ficou arquivada, tida como um projeto fracassado e aparentemente sob controle. No entanto, no fim de janeiro deste ano, a polícia de Calgary, no Canadá, divulgou uma informação alarmante: em 2015, eles fizeram apreensões da droga W-18 nas ruas. Segundo o porta-voz da polícia local, sargento Jason Walker, foram poucos comprimidos, mas o suficiente para levar a polícia a pensar que se tratava de uma moda nova – e muito perigosa.
Droga é a “sucessora” do fentanil.
“É preocupante o fato de este comprimido estar nas ruas, porque no ano passado tivemos vários casos de morte por overdose causada por outro opiáceo, o fentanil, que, de alguma forma, está relacionado”, explicou o coordenador da equipe antinarcóticos da polícia de Calgary, Martin Schiavetta. “Enviamos para análise vários comprimidos encontrados depois dessa primeira apreensão e estamos esperando os resultados”, acrescentou.
Devido a seu efeito poderoso, a W-18 nunca foi comercializada ou produzida de maneira legal por indústrias farmacêuticas. “A maioria dos comprimidos veio da China. Os traficantes de drogas nas ruas não sabem o que estão vendendo”, disse Schiavetta. “[O W-18 nunca foi testado em humanos de forma documentada, mas se pode dizer que os efeitos são parecidos com os de outros opiáceos potentes, como sono profundo, euforia, coceira e hiperventilação que pode levar à morte”, afirmou Schiavetta.
No entanto, apesar de seus efeitos devastadores, a droga ainda não está na lista de substâncias proibidas pelo governo do Canadá, mas o departamento de saúde do país, o Health Canada, já pediu sua inclusão imediata.
Crise dos opiáceos.
A crise dos opiáceos já havia disparado com o fentanil, que é cem vezes mais poderoso que a morfina e já havia sido considerado a “droga do verão” pela polícia de Calgary, depois da apreensão de 21 mil comprimidos durante os primeiros dez meses de 2015. Mas, de acordo com informações da imprensa canadense, uma das possíveis causas da aparição da W-18 foi justamente a alta taxa de mortalidade relacionada ao fentanil. Sua demanda caiu e a busca por outras substâncias aumentou.
O temor do Canadá diante da aparição de uma nova e mais poderosa droga é justificado: o país registra o maior número de receitas médicas para opiáceos no mundo, conforme um relatório publicado na província de Ontário, na região central do país.
Os comentários estão desativados.