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Por Redação O Sul | 11 de abril de 2020
Adversidades econômicas ou grandes crises nacionais são desafios que alguns presidentes dos Estados Unidos já enfrentaram no caminho para reeleição. Mas lidar com uma grande crise econômica ao mesmo tempo em que se enfrenta uma pandemia é um fenômeno mais raro. É essa a realidade que o presidente americano, Donald Trump, terá pelos próximos sete meses até novembro, quando deve enfrentar o ex-vice-presidente Joe Biden nas urnas.
Não era esse o cenário que Trump esperava. Em fevereiro, a taxa de desemprego alcançava seu patamar mais baixo em 50 anos. O presidente repetia com frequência que a economia estava “melhor do que nunca”.
Agora, a expectativa é que o desemprego cresça dos 3,5% no início do ano para até 20% ou 30%, de acordo com estimativa do Banco central americano em St. Louis. O secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, negociou com o Congresso um pacote de mais de U$ 2 trilhões para evitar que o desemprego chegue a patamares tão altos. Pesquisa desta semana da Gallup mostra que 7 em cada 10 americanos acreditam que o país está ou em uma recessão ou já em uma depressão.
— O maior problema de Trump agora será o desemprego crescente. – diz Darrell West, cientista político da Brookings Institution. — As pessoas acham que o desemprego estará acima de 15%. Isso é muito alto para um presidente no cargo. Os últimos dois presidentes que estiveram em situações econômicas ruins foram ambos derrotados: Jimmy Carter, em 1980, e George H. Bush, em 1992.
Depois de ter atingido seu pico em 20 anos, de acordo com índice da Gallup, a confiança dos americanos na economia teve uma de suas maiores quedas mensais em março desde que a pesquisa começou. Tanto Democratas quanto Republicanos viram sua confiança diminuir.
Ao mesmo tempo, o número de atingidos diretamente pelo coronavírus continuará a crescer nos próximos meses. O modelo apresentado pela Casa Branca aponta para 100 a 200 mil mortes no país, se a população seguir as regras de distanciamento social “quase perfeitamente”, segundo a Dra. Deborah Birx, que integra a força tarefa de Trump. No pior cenário, se os EUA não fizessem nada para parar a doença, seriam 1,6 a 2,2 milhões de mortes.
Apesar do desafio em duas frentes, economia e saúde, diversos aspectos da disputa jogam a favor do atual presidente. Diferentemente do seu adversário, Joe Biden, Trump tem ampla vantagem em tempo de exposição à mídia.
Depois de ter tido que cancelar seus comícios por causa do coronavírus, o presidente passou a fazer coletivas de imprensa diárias, inclusive aos domingos. Elas duram, muitas vezes, mais de duas horas e entram em temas não relacionados à Covid-19, como a própria corrida eleitoral.
Nesta semana, Trump provocou o adversário. Disse que não entende por que o ex-presidente Barack Obama ainda não declarou publicamente seu apoio ao seu ex vice e provável candidato democrata. “Ele sabe alguma coisa que vocês não sabem”, disse o presidente, durante a coletiva sobre o coronavírus.
— Trump está conseguindo duas horas de tempo grátis na televisão nacional todos os dias. Enquanto Biden consegue sonoras eventuais de um ou dois minutos. Em algum momento, terá que haver uma cobertura mais justa dos dois candidatos — diz West. — Biden meio que desapareceu como candidato por enquanto.
Apesar da dificuldade para ganhar espaço na mídia, o ex vice-presidente aparece eventualmente, comentando questões pontuais do coronavírus. Nesta semana, chegou a defender que os Estados Unidos voltem a ocupar seu espaço de liderança internacional, para preencher o vácuo deixado pela China.
O discurso levemente antagonizador com o rival asiático é reflexo de um fato que parece ter se concretizado nas últimas semanas: a rejeição cada vez maior à China, o que pode ser entendido também como apoio à política externa de Trump. Pesquisa da Harris Poll mostra que 77% dos americanos culpam a China pelo coronavírus, incluindo 67% dos democratas. Além disso, 69% apoiam a política de comércio dura de Trump contra o país.
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