Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de junho de 2017
Durante jantar com artistas, na segunda-feira, no Rio, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa afirmou que não será candidato à Presidência da República. A recusa em confirmar a hipótese, levantada por ele mesmo, teria sido “um banho de água fria” para os presentes. Pelo menos foi o que contou a anfitriã, a produtora cultural Paula Lavigne. “Eu até brinquei com o ministro dizendo que, se o Bolsonaro fosse eleito, a culpa seria dele.”
O jantar teve a participação de Caetano Veloso, Marisa Monte, Fernanda Lima, Letícia Sabatella, Lázaro Ramos, Fernanda Torres e Thiago Lacerda, entre outros, além do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O encontro foi combinado após o Show das Diretas, no fim de maio, no Rio. De acordo com Paula, o ex-ministro foi simpático, mas “ouviu muito mais do que falou”. “A gente tentou, acho que estamos precisando de um modelo, um modelo diferente de Trump e Doria, mas ele disse não”, contou.
Apesar da recusa, Paula postou no Twitter: “Estamos tentando! O que acham? Ele não quer #joaquimbarbosapresidente”. As reações se dividiram entre “vamos insistir mais” e “ele não é do ramo”.
A hipótese de uma candidatura foi divulgada pelo próprio ex-ministro – após solenidade no Supremo, no dia 7 deste mês, quando foi descortinado seu retrato na galeria de ex-presidentes da Corte. Na ocasião, Barbosa disse que estava “refletindo” e já havia conversado com a ex-ministra Marina Silva (Rede) e o PSB.
Segundo Randolfe, Barbosa disse não ter “jogo de cintura para política”. “Mas espero que ele reconsidere. Não precisa ser candidato. Mas seria muito importante que participasse da política”, afirmou. Procurado pela reportagem, Barbosa preferiu não se manifestar.
Polêmicas
Primeiro negro a ocupar um assento no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Joaquim Barbosa fez história ao ser indicado, em 2003, para a mais alta corte do país. Fluente em quatro idiomas e doutor em direito público pela Universidade de Paris II, o presidente do STF também acumulou polêmicas no período em que atuou no tribunal.
Barbosa anunciou aposentaria precocemente, aos 59 anos. Pela legislação, ele poderia permanecer no tribunal até completar 70 anos, idade-limite para servidores públicos continuarem na ativa. Relator do processo do mensalão, que condenou 24 réus, entre os quais o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, Barbosa protagonizou, ao longo dos últimos 11 anos, duros embates no plenário do STF com vários colegas de Corte, entrou em confronto com entidades de magistrados e manteve uma tensa relação com advogados e jornalistas.
Se envolveu em sua primeira polêmica como ministro da Suprema Corte apenas um ano depois de tomar posse no tribunal. À época, durante uma sessão na qual o plenário discutia uma liminar (decisão temporária) que havia permitido o aborto de um bebê anencéfalo, ele travou uma discussão acalorada com o ministro Marco Aurélio Mello, a primeira de uma série com o segundo magistrado com mais tempo de atuação no STF.
Em meio à discussão, Barbosa afirmou que o colega, autor da liminar, não poderia ter arbitrado sobre um assunto tão relevante monocraticamente. Ao final da sessão, Marco Aurélio afirmou que, se não estivessem no século 21, “certamente” teriam duelado.
Em 2009, o presidente do STF voltou a protagonizar uma dura discussão no tribunal, uma das mais acaloradas da história do plenário do Supremo. Durante o debate, Barbosa acusou o ministro Gilmar Mendes de manter “capangas” no Mato Grosso.
“Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. […] Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite.”
Ele também se envolveu, em 2012, em uma troca de farpas por meio da imprensa com o ministro aposentado do STF Cezar Peluso. Depois de ter sido chamado por Peluso de “inseguro” e dono de temperamento explosivo, o ministro Joaquim Barbosa, em entrevista ao jornal “O Globo”, classificou o colega de Corte de “brega”, “caipira”, “corporativista” e “tirano”.
Barbosa também afirmou ao jornal que Peluso teve um mandato “desastroso” ao presidir o tribunal e que deixou imagem “tirânica”. “As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade”, declarou na ocasião.
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