Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de novembro de 2018
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, não deu garantias de que respeitará a lista tríplice do MPF (Ministério Público Federal) para escolher o próximo ocupante do cargo de procurador-Geral da República. Após visita institucional na qual quebrou um protocolo ao prestar continência à atual titular do órgão, Raquel Dodge, nessa terça-feira, ele ressaltou que a sucessão na PGR não é um tema para agora. “Isso aí [a lista tríplice] é um assunto que a gente vai discutir só em setembro do ano que vem. Mas, a princípio, a gente vai seguir todas as normas legais existentes”, desconversou.
Conforme a Constituição Federal, o presidente da República tem a prerrogativa de escolher o chefe do MPF, mas não é obrigado a seguir nenhuma indicação da lista da eleição interna da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). No ano passado, ao indicar Raquel Dodge para o cargo, então a segunda colocada da lista tríplice, o presidente Michel Temer quebrou uma tradição que vinha sendo mantida desde o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva – atualmente preso e condenado no âmbito da Operação Lava-Jato.
Arestas pendentes
Assim como no caso da indicação de Raquel Dodge, não alinhada a seu antecessor, Rodrigo Janot (que deixou o cargo em setembro de 2017), que denunciou criminalmente Michel Temer por corrupção passiva no caso JBS, a expectativa é de que ela não seja reconduzida ao cargo por causa de embates com Jair Bolsonaro.
O presidente eleito ficou mais de uma hora reunido com a procuradora-Geral, que o denunciou criminalmente ao STF (Supremo Tribunal Federal) e foi alvo de críticas do presidente eleito e de seus filhos e aliados. Eles também desqualificaram a procuradora publicamente no caso do voto impresso, não aplicado nas eleições desse ano – a Procuradoria-Geral da República deu parecer contra.
“Profundo respeito”
Ao sair do gabinete da PGR, ele disse ter “profundo respeito” pela procuradora e pelo Ministério Público Federal. “Eu estou aqui em visita de cortesia pelo profundo respeito que tenho ao MP e à senhora Raquel Dodge”, declarou.
“Foi uma conversa bastante profícua. Estamos prontos para colaborar para com o futuro de nosso Brasil. O MP é muito importante nesse trabalho de fiscal da lei”, acrescentou. Ele estava acompanhado dos futuros ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro.
Continência
Prática restrita ao âmbito militar, a continência é uma saudação militar utilizada como manifestação de respeito e apreço ao um superior hierárquico, pares, subordinados e símbolos como a bandeira nacional, por exemplo. Ela deve ser feita em pé, com a movimentação da mão direita até a cabeça, com a palma da mão para baixo, e pode ser individual ou da tropa.
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