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Política “É como acreditar em conversa de bêbado”, diz Joesley Batista sobre áudio em que foi gravado

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Joesley admitiu no depoimento que se encontrou com Miller em fevereiro deste ano. (Foto: Reprodução)

O empresário Joesley Batista, um dos donos da holding J&F, disse nessa quinta-feira, em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), que acreditar no conteúdo da conversa gravada entre ele e o diretor de Relações Institucionais do grupo, Ricardo Saud, é como acreditar em uma “conversa de bêbados.”

Joesley, Saud e o advogado da empresa, Francisco de Assis e Silva, prestaram depoimento na sede da PGR em Brasília para esclarecer o teor do áudio, que aponta omissão de informações dos três delatores aos investigadores da Lava-Jato. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos a Joesley Batista e outros delatores poderão ser cancelados.

O depoimento desta quinta também atende a pedido da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, de investigar falas dos delatores envolvendo ministros da Corte. Na conversa, Joesley e Saud discutem como gravar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para ele “entregar” ministros do STF, o que poderia reforçar a delação dos executivos.

Fontes com acesso aos depoimentos informaram que Joesley disse nesta quinta que acreditar no áudio é como acreditar em dois bêbados dizendo que a Coreia do Norte vai invadir os EUA. Ainda de acordo com essas fontes, Joesley inocentou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de qualquer atitude ilegal e também negou qualquer irregularidade em seu contato com o ex-procurador da República Marcelo Miller, que foi acessor de Janot.

O áudio levantou suspeitas de que Miller teria ajudado os executivos da J&F nas negociações para fechar o acordo de delação premiada. O procurador, que atuou na Lava-Jato, deixou a PGR em abril deste ano e, uma semana depois, começou a trabalhar em um escritório de advocacia que atuou no acordo de leniência da J&F.

Joesley admitiu no depoimento que se encontrou com Miller em fevereiro deste ano, mas que tinha sido informado que ele já havia pedido exoneração. O pedido realmente ocorreu em fevereiro, mas Miller só deixou o órgão em abril.

No acordo com a PGR, Joesley e outros executivos apresentaram provas para incriminar políticos, entre eles o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e, em troca, receberam benefícios, entre eles a imunidade (garantia de que os delatores não seriam denunciados criminalmente), que foram duramente criticados.

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