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Saúde É “fake news” a informação de que vacina contra o coronavírus enfraquece o sistema imunológico

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Em meio à onda de notícias falsas que circulam nas redes sociais, uma das mais recentes afirma que a vacina da Pfizer reduz a defesa imunológica do organismo contra outras doenças. Especialistas alertam que não há qualquer base científica para afirmações como a de que “as pessoas então não morrem mais de covid, e sim de outras doenças virais causadas pela imunização”.

Essa nova bobagem tem como origem a leitura deturpada de um estudo holandês divulgado em maio de 2021 como uma pré-publicação na MedRxiv, plataforma que divulga estudos científicos ainda sem revisão por pares. Como advertem expressamente os administradores da plataforma, as publicações são apenas relatórios preliminares de estudos ainda não certificados.

“Eles não devem ser invocados em clínicas médicas nem nos cuidados relacionados à saúde, e tampouco serem publicados pela mídia como informações estabelecidas”, frisa a MedRxiv. Qual é a importância, portanto, de tal estudo? E o que ele realmente significa?

Curiosamente, o estudo citado por céticos da vacina foi realizado precisamente para mostrar se e quão eficaz era a vacina Pfizer contra novas variantes do vírus Sars-Cov-2. O resultado foi a comprovação da eficácia da vacina, confirma Mihai Netea, um dos autores do trabalho.

De acordo com o pesquisador da Universidade Radboud, na cidade holandesa de Nijmegen, a alegação de que o estudo forneceria evidências de um enfraquecimento do sistema imunológico por meio da vacinação contra a covid é falsa.

“Queríamos descobrir quais eram os efeitos imunológicos das novas vacinas. Isso é importante, porque elas vão nos acompanhar por muito tempo. Penso que seus efeitos devem ser pesquisados de forma ampla. E é lamentável que alguns interpretem os resultados em uma direção errada”, declarou Netea em entrevista à imprensa.

Como parte do estudo, foram examinadas de forma detalhada e em momentos diferentes as reações inflamatórias da chamada imunidade inata em 16 indivíduos vacinados. De fato, os cientistas concluíram que a vacina da Pfizer-Biontech afetou não apenas a imunidade adquirida, como também o sistema imunológico inato – o que não é novidade ou problema com as vacinações.

Além do Sars-Cov-2, as células imunes inatas foram estimuladas com vários outros patógenos (componentes de vírus, fungos, bactérias). Dependendo do estímulo e do momento de medição, as respostas imunológicas se revelaram ligeiramente mais baixas ou um pouco mais altas do que o normal.

Mas Netea garante: “Em nosso estudo não obtivemos nenhum dado clínico que nos permita dizer que a vacina enfraqueça o sistema imunológico e que os inoculados sejam mais suscetíveis a infecções e outras doenças”.

O que os autores do estudo descobriram é realmente emocionante do ponto de vista da imunologia, comenta Christine Falk, diretora da Sociedade Alemã de Imunologia, ao avaliar os resultados da pesquisa. As medições mostram quão bem funciona a regulação imunológica no nível molecular, e que o sistema imunológico inato também é treinado. Para a população em geral, no entanto, o estudo não tem muita relevância, afirma Falk.

Mais bobagens

Com base no estudo holandês, um usuário do Twitter havia concluído que o corpo humano “não consegue mais lidar bem com bactérias e outros vírus porque o sistema imunológico fica alterado”. Mas isso não é verdade.

O sistema imunológico humano é tão abrangente que consegue se defender em várias frentes sem maiores problemas, mesmo imediatamente após a vacinação contra covid-19, explica a imunologista Christine Falk.

A imunologista alemã tampouco vê conexão entre a vacinação contra o coronavírus e um suposto surto de infecções por herpes. Tais teorias podem ser encontradas em comentários sobre o estudo holandês no Twitter: “Será que essa mudança no sistema imunológico torna o corpo mais suscetível ao herpes zoster de dez a 14 dias após a segunda dose? Meu médico disse que eu não sou um caso isolado em sua clínica.”

Falk não vê fundamento em tais suposições: “Pode até ser que as infecções por herpes tenham aumentado de alguma forma em algum lugar, mas isso não tem nada a ver com a vacina. Estabelecer uma conexão como essa simplesmente não foi o propósito do estudo”, enfatiza a imunologista.

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