Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de outubro de 2015
Em 11 de maio de 2015, pouco mais de um ano após a deflagração da Operação Lava-Jato e cerca de um mês antes de a Polícia Federal prender dirigentes da cúpula da Andrade Gutierrez, executivos da companhia demonstravam receio com a possibilidade de três investigados fazerem delação premiada. E-mails apreendidos nos computadores da sede da empreiteira diz que poderia ser “ruim” um acordo de colaboração dos lobistas Mario Góes e Fernando “Baiano” Soares, e do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.
Naquela data, Góes, Baiano e Cerveró estiveram em audiência da CPI da Petrobras, em Curitiba (PR), base da Lava-Jato, e se calaram diante das perguntas dos deputados. Às 16h02min de 11 de maio, um executivo da Andrade Gutierrez enviou mensagem a um colega do grupo. “CPI – Mario Góes, Fernando Baiano e Cerveró invocaram seu direito ao silêncio…RR.”
Um dirigente da empreiteira respondeu às 16h19min. “Pode ser bom mas também pode ser porque estão se reservando para uma delação premiada… e aí é ruim.”
Daquela ocasião até Góes – apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobras – acertar os termos de sua delação premiada, passaram-se quase três meses. No fim de julho, o lobista começou a contar que sabia sobre o esquema de propinas na estatal em troca de benefícios, como redução de pena.
Baiano, preso desde novembro de 2014, fechou delação premiada no início de setembro. As negociações para o acordo de colaboração de Baiano, lobista ligado ao PMDB, com a força-tarefa da Procuradoria-Geral da República, arrastaram-se por alguns meses.
Cerveró chegou a se reunir com a força-tarefa do Ministério Público Federal, mas não acertou os termos de sua delação premiada.
Cerveró, Baiano e Góes já foram condenados na operação. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava-Jato, impôs 12 anos e 3 meses de prisão ao ex-diretor da Petrobras e 16 anos a Baiano. (AE)
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