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Por Redação O Sul | 17 de agosto de 2017
A economia brasileira continuou apresentando crescimento no segundo trimestre deste ano, mas foi registrada desaceleração no ritmo, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), divulgado nesta quinta-feira (17).
O índice, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), registrou crescimento de 0,25% de abril a junho deste ano na comparação com o trimestre anterior. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de compensação para comparar períodos diferentes).
No primeiro trimestre deste ano, a economia havia crescido mais, quando apresentou uma expansão de 1,21% (IBC-Br revisto pelo BC). No último trimestre do ano passado, por sua vez, houve uma contração de 0,47%. Nos três primeiros meses deste ano, o indicador encerrou um período de oito trimestres de queda.
O IBC-BR foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB. Os números oficiais do PIB do segundo trimestre deste ano serão divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 1º de setembro.
Previsões para 2017
Para 2017, a previsão dos bancos é de uma alta de cerca de 0,34% no PIB, mas os ministérios da Fazenda e do Planejamento e o Banco Central estimam uma expansão maior da economia neste ano, de 0,5%.
Para tentar reaquecer a economia, o governo Michel Temer tem anunciado medidas como a liberação de saques das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O Banco Central também vem reduzindo a taxa Selic, o que deve se traduzir em queda dos juros dos empréstimos bancários.
Junho, parcial do ano e 12 meses
Os dados do BC mostram que, somente em junho, o nível de atividade econômica registrou crescimento de 0,50% na comparação com maio. Neste caso, a comparação foi feita após ajuste sazonal, considerada mais apropriada por analistas. Sem ajuste, houve uma queda de 8,24% no IBC-Br em junho deste ano.
Os números do BC mostram que o nível de atividade avançou em quatro dos seis primeiros meses deste ano: janeiro (0,54%), fevereiro (1,42%), abril (0,19%) e junho (0,50). Teve retração em março (-0,48%) e maio (-0,37%).
Já no acumulado do primeiro semestre de 2017, ainda segundo números do BC, o indicador do nível de atividade registrou estabilidade. No período, houve uma queda marginal de 0,11% contra o mesmo período do ano passado. A comparação foi feita sem ajuste sazonal. Dessazonalizado, o indicador avançou pouco também: 0,06%.
Na parcial de 12 meses até junho, ainda segundo a autoridade monetária, a prévia do PIB (indicador dessazonalizado) do Banco Central registrou contração de 1,82% (sem ajuste, a queda é de 2,03%).
Metodologia e uso do IBC-Br
Embora o cálculo seja um pouco diferente, o IBC-Br foi criado para tentar ser um “antecedente” do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.
O indicador é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do País. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, os juros básicos estão em 9,25% ao ano – o menor patamar em cerca de quatro anos.
Para 2017 e 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do País e medida pelo IBGE, pode ficar entre 3% e 6%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Neste ano, por conta da demora na retomada do nível de atividade, o mercado financeiro, e também a autoridade monetária, acreditam que a inflação oficial ficará abaixo da meta central de 4,5% – algo que não acontece desde 2009. (AG)
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