Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

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Economia Economia colaborativa é alternativa para diminuir gastos de início de ano

Corte de gastos no orçamento pode chegar a superar os 1000 reais.

Foto: Reprodução
Corte de gastos no orçamento pode chegar a superar os 1000 reais. (Foto: Reprodução)

A economia colaborativa e o planejamento financeiro são alternativas para quem quer reduzir o impacto dos gastos de início de ano no orçamento, afirmam especialistas. Voltado para a troca, compartilhamento e compra de produtos e serviços a valores simbólicos, o racionamento pode chegar a mais de R$ 1.000.

Principalmente quando o assunto é a matrícula escolar e os gastos com materiais e uniforme dos filhos, os grupos de pais que usam das redes sociais para encontrar outros adeptos da economia colaborativa não param de crescer.

Segundo a empresária Carolina Gallego Lima, 36, que participa de um grupo de WhatsApp com outras mães — todas com os filhos no mesmo colégio — o principal apelo é a possibilidade de troca de produtos ou a compra bem abaixo do preço do mercado.

Duas mãos de manequins, de madeira, estão paradas uma de frente pra outra. Uma delas segura uma nota de R$ 50 enquanto a outra segura uma cédula de R$ 100

“Em uma calça, por exemplo, que custa R$ 65 quando comprada nova na loja, costumamos pagar R$ 30. Uma blusa de frio que custa R$ 120 na loja, pagamos R$ 40”, afirma a empresária.

O preço, segundo ela, também varia conforme o estado e o tamanho das roupas. “Dificilmente uma calça vem em ótimo estado, por exemplo, já que a grande maioria das crianças é pequena e se joga no chão. Mas nos acostumamos a colocar joelheiras ou até mesmo cortar e fazer bermudas”, completa.

O chamado “desapego”, por sua vez, não para em uniformes. De acordo com a professora e organizadora pessoal Simone Aparecida Jordão Fornaciari, 52, existem grupos que vão desde brinquedos e materiais escolares para crianças até os que propõem trocas de eletrodomésticos, móveis e até mesmo casas.

“Os critérios normalmente são os mesmos. Se são roupas, temos que colocar quais são os tamanhos, o estado da peça e se foi muito usada ou não. Além disso, também precisamos postar uma foto da roupa e o valor proposto, que normalmente é bem abaixo do que o que encontramos nas lojas”, explica.

Segundo a empresária Denise Murakami, 46, mesmo em casos onde os pais ainda não sabem a lista de materiais, as trocas acontecem. Murakami começou a organizar o evento para os alunos do Colégio Bandeirantes em 2018.

A empresária disponibilizou sua própria casa, perto do colégio, para as trocas. Na época, segundo ela, foram 1.850 livros trocados: o equivalente a R$ 275 mil economizados pelos alunos contemplados. A opção para quem não tinha materiais para trocar era levar um quilo de leite em pó, que seria doado a ONGs.

O projeto foi um sucesso tão grande que, em 2019, teve que migrar para as quadras do colégio. Segundo a empresária, os números relacionados às trocas ainda estão sendo contabilizados, mas foram arrecadados 150 quilos de leite em pó.

“É um evento que também acaba integrando os alunos. É um projeto sustentável e que fez todo mundo economizar bastante. O pessoal começa a ver que quando se compartilha as coisas, a abundância é uma realidade”, disse Murakami.

O único problema em relação aos materiais didáticos em 2020 é a implementação das mudanças na base de educação infantil e do ensino fundamental. A alteração trará uma atualização em todos os materiais, que precisarão ser novos.

“Eu vou pagar R$ 1.300 só de livros para a escola. Ainda bem que não vou gastar nada com o uniforme”, completa Fornaciari.

O modelo de permuta e desapego ganhou tanta força entre os pais que até mesmo as escolas começaram a se adaptar. De acordo com a diretora administrativa do Colégio Santa Helena, Ana Carolina Arcuri, a cultura de trocas se iniciou em 2009, mas tem se intensificado conforme o passar dos anos.

“Começou pelos pais, que começaram a propor a troca da mensalidade por algum tipo de prestação de serviço”, afirmou ela.

Os casos são os mais variados: desde pais que possuem gráficas e oferecem toda a parte de impressão e material (como papéis timbrados) em troca das mensalidades até aqueles que possuem uma loja de móveis ou são marceneiros e oferecem carteiras escolares como permuta.

“As quantias são correspondentes. Se o valor das carteiras for o equivalente a cinco meses de mensalidade, são cinco meses a menos que o pai precisa pagar no ano”, completa Arcuri.

Já as trocas entre uniformes e livros dos filhos, por sua vez, tornaram-se mais evidentes há quatro anos, afirma a diretora. Segundo ela, o movimento — que fica mais intenso entre dezembro e fevereiro — traz uma economia equivalente a uma mensalidade da escola.

“É vantajoso para as duas partes. Nós, da escola, não deixamos de receber. E os pais conseguem economizar e fazer a conta final caber no orçamento”, acrescenta.

Impostos 

Para especialistas, nos casos em que as dívidas de natal e ano novo já começam a pesar no bolso, a principal dica é a organização dos gastos. Segundo a diretora pedagógica da Dsop Educação Financeira, Ana Rosa Vilches, o primeiro passo é fazer o diagnóstico financeiro.

“É preciso colocar no papel quais os valores que entram no mês e quais são os gastos: tanto os pagos à vista como os parcelados. O segundo passo, é avaliar o quanto esses pagamentos de início de ano podem atrapalhar o meu orçamento e qual a melhor forma de resolver essa situação”, explica a executiva.

Para aqueles que pagam IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), a diretora da Dsop afirma que os descontos do pagamento à vista são o principal objetivo.

“Caso a pessoa tenha condições de pagar à vista sem prejudicar o orçamento, é interessante. Os descontos desses impostos, que variam de 3% a 5%, podem compensar. Mas se o pagamento imediato for me atrapalhar nos meses seguintes, a melhor opção é o parcelamento”, acrescenta Vilches.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, ainda que o ideal fosse fazer um colchão financeiro como forma de preparo para essas contas de início de ano, nos casos em que o dinheiro já tenha acabado, a dica é uma redução dos gastos por meio do corte de “coisas comuns”.

“Deixar de comer fora, de utilizar aplicativos de transporte ou até de ir no cabeleireiro com uma frequência muito grande podem não parecer custos significativos, mas fazem a diferença na soma do final do mês”, afirma a economista.

Ela chama atenção também para o parcelamento. “É preciso fazer isso com cuidado. Precisar de menos dinheiro para pagar parcelas pode dar uma sensação de alívio, mas a dívida já está contratada por um período e isso também precisa estar na organização do orçamento futuro”, completa Kawauti.

Para o educador financeiro Mauro Calil, a maior orientação para os consumidores é que aprendam com o passado.

“Para contas previsíveis, é importante ter o cuidado de ir poupando ao longo do ano. Além disso, em caso de aperto, a preferência é sempre por pagar as contas mais essenciais. São passos importantes: gastar menos do que se recebe, formar um colchão financeiro para emergências e ter seguros para aquilo que é de difícil ou impossível reposição”, completa.

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